O teor alcoólico do medo

Publicado novembro 30, 2011 por wal5
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Estou aqui em dúvida discutindo comigo mesma sobre o que escrever. Tenho uma vontade forte de escrever um miniconto erótico, mas tenho medo. Tenho vontade de escrever sobre o amor, mas também tenho medo. Tenho vontade de escrever sobre interessar-me por uma pessoa, mas também tenho medo. Por que tantos medos? Sempre fui tão descolada e disposta a enfrentrar todas as situações e agora esta insegurança que aparece e cria personagens estranhos dentro de mim. Às vezes sou o que não quero, falo e ajo e não quero. Por quê? Medos. Talvez  porque a vida  insista em  mudar  de direção e isso assuste, é o desconforto da mudança, dos olhares, do novo, das possibilidades. Todos procuramos o novo e traçamos objetivos, desejos, queremos renovar, viver diferente, porém quando tudo parece estar tranquilo e calmo vem a novidade sacudir o estabelecido. Tudo aquilo que  não se espera  mais acontece e mexe em algo que já estava definido, fechado, finalizado.E agora? Medos.Porém tem um fato bom nisso tudo: medo é gostoso também…descobri isso, porque com ele vou aprendendo a colocar meus pés no chão devagar, sem pressa, sem atropelos, cada passo de uma vez…talvez demore para chegar, talvez não chegue, talvez mude de direção, talvez…mas estou caminhando com medo e isso, embora pareça maluco, traz uma sensação de insegurança acompanhada de um leve frescor alcoólico que me seduz.

ENTRE – linhas – para SUB – linhar as vaidades

Publicado setembro 11, 2011 por wal5
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Aquilo que não é declarado, não é revelado e fica nas entrelinhas do discurso talvez arrebente mais os corações humanos do que a dose direta. A incerteza mata, consome, destrói, cria monstros imaginários que rondam as noites e os dias de angústia. Nada pior do que sentir  dores não identificáveis, porque elas vêm das decepções que atolam o caminho à frente, porém é necessário percorrer com o barco, mesmo que haja pedras, cachoeiras na direção. Que bom que a fé resiste a todos os sentimentos egoístas! Acreditar, compreender todos os lados é rumar pelas águas da justiça que se faz necessária para  pulverizar a arrogância e a prepotência humana.

Fronteiras

Publicado julho 29, 2011 por wal5
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Medo. Às vezes ele está e nem percebo, não identifico, ele está e pronto.Enfrento ou finjo? Não sei. Talvez seja a dúvida de algo que se  foi, ficou,distanciou-se no tempo. Memória? Sei lá.A pergunta é: e agora? Faço o que com tudo isso? Vejo como um rio que desce a montanha durante uma tempestade e carrega tudo que aparece pela frente e isso causa pânico, muito medo. São pedras misturadas à terra, à agua, a galhos, folhas que no final das contas tornam-se um monstro que pode ser assustador ou mobilizador.  Cansei de ter pela metade – detesto o “quase”, gosto de números inteiros. Abolirei todos os “quase” da minha vida, pois quando tudo se mistura  me perco, não sei das fronteiras. Elas são divisões, separações, espaços, distanciamento. Hoje estou perdida em  meu próprio terrritório.

TEIA SÓRDIDA E SENSUAL

Publicado abril 8, 2011 por wal5
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Cortante, amante, sensual, dominador, embriagado pela  sordidez, assim é  o narrador de “ O insaciável homem-aranha” – de Pedro Juan Gutierrez. Num processo que  vai construindo ambientes que disparam personagens em enredos que,  muitas vezes, quadro a quadro, numa mistura antitética de objetividade marcante e subjetividade sutil, despertam no leitor um sentimento  de entrega, há a marca da nudez marginal que percorre toda a narrativa

A descrição de um espaço marcado por um olhar afiado mexe com os sentidos e incomoda. O tempo conduz o presente que percorre um passado estagnado em uma cidade esquecida. O conto que abre o livro não traz Cuba como espaço central, mas NY, é quase um antagonismo espacial. Ao contrário do lugar comum da vítima que sofre e fica passiva, a personagem feminina tem a função de  ser  a narradora onisciente, aquela que observa o tempo e as ações do antagonista. O mundo  masculino aqui, representado por um mendigo, um ser primitivo, quase desumanizado, deseja saciar apenas  o que é básico,  e, por isso, a presença de uma personagem sem voz.  Só  o sexo e o prazer de violentar informam. A palavra é desnecessária, apenas a ação violenta interessa. A mulher pensa e conduz o estupro. Assim a narradora planeja, num antagonismo esquizofrênico, a violência e o prazer que a faz sentir ao olhar a cena de fora.

Já em “Debaixo das árvores”, o olfato é o grande disparador de sensações que circulam e impregnam as personagens. Sinestésico o narrador vai aproximando a personagem gorda de voz aveludada dos odores eternos naquele ambiente largado pelo tempo. A cada olhar, um homem  respira a temperatura quente e morta do lugar, no entanto de um certo modo atraído por tudo aquilo. Ao mesmo tempo que necessita fugir da cena, ele procura e a sente ao extremo.

Desta forma, Gutierrez desconstrói suas personagens, inverte a ordem. Um deslocamento proposto de forma pueril pelo naturalismo do séc. XIX , mas que  aqui ganha contorno de realidade, artimanha de um duplo vínculo de escolha, no espaço e no tempo.

re-luto

Publicado abril 1, 2011 por wal5
Categorias: Sem-categoria

Me vejo subitamente num sonho escuro, passeando pela rua barrenta. Vozes circulam pelos meus passos e  me rodeiam. Não sinto medo, sei que estou segura, pois há uma mão que me conduz e me apoia no tempo de minha visita àquele espaço. Poucas pessoas estão por ali, as que vejo apenas caminham para longe de mim. Sigo em meu propósito, mesmo sem saber, tenho um. Há uma mistura de horror e desejo crescente que vai tomando o ar pesado que respiro. Respiro? Dúvida que permanece, mas não tenho como questionar, apenas não sei. Os passos seguem pela estrada escura e sedutora. Há uma mão que aperta a minha e me dá a sinalização necessária para continuar. Um vulto se aproxima e posso notar um rosto velho e sério de uma mulher que domina que ambiente. Conversamos e chegamos a um acordo sobre nossa permanência ali. Temos autorização para continuar nossa visita. Escuto suas palavras de um tempo tão distante de agora, mas levemente familiar a meus ouvidos. Espero que se mostre mais, aguardo sua resposta e ela vem certeira. Há um porquê de estarmos ali, só não dominamos este conhecimento, somente os grandes iniciados têm o poder de tomar consciência após a ficção da noite. Afasto-me e sei que o diálogo encerrou. Agora domino um novo trajeto de vida, há uma direção nova para seguir, mas esta sim me assusta e faz doer o peito pelo que possa acontecer. Não acredito mais naquilo que foi definido como bom, saudável. Tudo para mim segue um caminho alternativo e no seu tempo se vai. Acredito apenas hoje nos desejos escondidos e roçados nos corpos sedentos de paixão. Questiono está nova linha que se forma em minha mão. Tudo sempre esteve tão apagado, mas agora surge um disparador e me pega. Não acredito. Reluto. Não quero acreditar, apenas saborear os segundos e minutos que passaram por mim. Apenas! Olhamos para frente e percebemos que o tempo se foi, precisamos nos retirar, já estão nos cercando e querem como vampiros nos atacar e sugar toda a vida marcada no vai e vem dos corpos entrelaçados nas horas de volúpia que passamos. Sentem o cheiro de vida e chegam mais perto. Olho em seus olhos e sem palavras digo para seguirmos pois nossa espera terminou, seguimos. O dia já amanheceu e ainda não consegui dormir.

Olhares de passagem

Publicado março 10, 2011 por wal5
Categorias: Poesia

 

By Ronaldo Fábio de Souza

 

Olhar  

procura

escolhas

instantes

 

                 O entrelaçar do tempo.

                Na mira

 disparo

luz   

                morros, terras, espaços.

 Azul em parceria silenciosa

                                                     assim no tempo se vai

 prendendo olhares de passagem

 Passageiros do enxergar

 fixação

 na mata, na campina, no ver

Alguém  se encantou

pelo olhar

Voltando ao reflexo

Publicado março 9, 2011 por wal5
Categorias: Sem-categoria

Sempre silencio quando algo me bate e hoje uma história me pegou. Foram  as marcas, o sangue, as dores, mas principalmente a imagem sem forçação (nunca escrevi uma palavra com dois cedilhas…mas…) de barra. Fiquei pensando que o tom ultrarrelista comandava as cenas e me fez lembrar de uma época em que usei sapatilhas. Claro que há por detrás disso  um bom diretor de fotografia e sua sensibilidade. Cisne Negro! 

 Como construímos nossa identidade? Como nos libertamos das amarras?Como ultrapassamos o nosso próprio eu? Vozes, espelhos, duplos esquizofrêncos, fantasias escondidas e libertas. Lacan, Freud e tantos outros  aproximaram-se da psique humana e sempre  disseram  que lá estavam as máscaras, os reflexos,os duplos. Somos seres em duplicidade e, às vezes, em eterna repetição. Duplicar induz quase que automaticamente ao  falso. A arte é original, é única e  é nisto que está o valor. A obra-prima e a perfeição.

Um cisne brando. Um cisne negro. Uma metamorfose. Uma ruptura. Apenas um final em branco e preto.

Carnaval

Publicado março 5, 2011 por wal5
Categorias: mini-conto

Carnaval em Veneza

By Danielle Martins

O desvio incerto. Lá estava ela perdida entre os reflexos sem aviso prévio. As coisas não deveriam acontecer assim, planejamentos existem para direcionar  as decisões. Mudar de rumo quase sempre resulta em dor. Mesmo assim continuava apostando na transformação mais uma vez. Era só deixar-se levar pelo balanço da dança que insistia abrir em direções nada convencionais. Rumos são em linhas retas ou curvas, agora  tudo apontava para  o  circular, e assim, em rodopios intensos e intermináveis, viveu.  O desejo vinha em cores e nos olhares penetrantes do caminho. Atingia devagar, muito devagar, um  gosto diferente e saboroso. O  bloco que descia pelas esquinas insistia em registrar as sensações de vontades guardadas para despertar num passar de sons o calor.

Fernanda

Publicado janeiro 17, 2011 por wal5
Categorias: Sem-categoria

Hoje minha mente virou um cinema. Imagens e sons são lembranças que me fazem continuar. Descobri como é importante a memória, é ela que nos dá o caminho para sobreviver a perdas. Olho para tudo e me acalmo. Re-cordar, passar de novo pelo coração. O tempo vai me  salvar  e saberei que este intervalo que chamamos vida entenderá o presente que Deus me deu convivendo com você. A  sua passagem me fez realmente entender o que é amizade e perceber que aprendi muito ao seu lado. Cada instante, cada palavra trocada, cada segredo revelado, cada carinho, cada apoio me fez ser um melhor ser humano. Suas brincadeiras curaram dores dentro de mim.Dor e sofrimento fazem parte deste estar aqui na Terra para aprender e continuar. Lembro de você em cores, uma tela intensa e apaixonante; lembro de você projetando; lembro de você sistêmica; lembro de você mãe; lembro de você criticando com inteligência; lembro de você  companheira; lembro de você solidária; lembro de você minha amiga.

Chamas

Publicado janeiro 9, 2011 por wal5
Categorias: Poesia

Assim acontecem os  chamados…

chamas em  olhares,

olhares em chamados

surpresas

Em chamas

Grandes amados

Gentileza

Publicado novembro 14, 2010 por wal5
Categorias: Sem-categoria

Por que algumas pessoas acham que se bastam? Conheço uma garota  de vista e me preocupo com ela porque, simplesmente quando esbarra em alguém, faz de conta que é a mulher invisível, ou age como se as pessoas fossem transparentes. Ela é tão na dela que, quando passa , nem o olhar faz algum movimento, não há um sorriso, não há vontade de ser bem educada. Mas o que entristece é que descobri que para  ela isto é   um traço maravilhoso da sua personalidade, porque ela já é suficiente  para si  mesma. Tenho medo de pessoas assim. Tenho medo  pelo individualismo que vivemos. Tenho medo de que o mundo fique cada vez mais desta forma. Não sou assim, sou diferente, gosto de conhecer pessoas, trocar informações, gosto de simpatia, gosto de gentileza, gosto de gente!

“A gentileza é a essência do ser humano. Quem não é suficientemente gentil não é suficientemente humano.”

Joseph Joubert

 

Uma canoa

Publicado setembro 25, 2010 por wal5
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http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guato/1983

 

Uma canoa no rio atracada à margem espera alguém que a leve navegar

Uma canoa parada sem remos no meio do rio tranquilo, espera alguém para  seguir em direção ao mar

Uma canoa descendo as águas  sem remos, navega perdida sem ninguém para ensinar

Ela está ali à espera do movimento, da força, do futuro, pronta para ser levada pelo ar

De repente um canto na mata, é o índio a chamar

É tempo de aprender, é tempo de perdoar, é tempo de ouvir

É tempo de ter tempo para amar

Uma canoa não vê fronteiras, apenas aguarda o caboclo sair da mata

para que, com sua força, desenhe no rio um novo caminhar

* Estava aflita ontem à noite, mas,  com sua voz tranquila, um índio chegou em meu sonho e meu mostrou a canoa no rio. Salve os caboclos do rio!

Esperanças perdidas

Publicado setembro 13, 2010 por wal5
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No luar, as águas invernais

A  tristeza define  a vida

desafiadora e mordaz

Envia à pessoa amada o desejo

de amar, mas alerta para o rumo incerto

A busca de tudo no encontro do nada

no valor que se ouve distante do ser desejado

é como o sofrimento  disperso e sonolento

que vive à procura de esperanças

perdidas.

Roteiro

Publicado setembro 13, 2010 por wal5
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Navegar é preciso, metamorfosear é preciso, olhar e enxergar é preciso …

Sonhar e amar…

preciso.

Na origem de tudo

Publicado setembro 11, 2010 por wal5
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Um começo

centro de tudo

Uma estrada

desconhecido

Círculo

chave em fechadura

Portas

controle imaginário

O princípio das ideias. Por aí caminha o filme “A Origem” , acompanhado de um ritmo desnecessário à moda Duro de matar 1,2, 3, 4,…, talvez o maior pecado do diretor ao meu ver. Mas deslizes  à parte, o fato é que trazer o sonho para a realidade me fascinou. Me vi no  meio dos enredos  de meus próprios  sonhos e dialogando com eles. O encaixe de histórias tornou a discussão mais intensa e provocante. Lembrei hoje do filme porque, por algum motivo desconhecido, eu, uma pessoa que sonha várias histórias diariamente, havia parado de sonhar. Fiquei meio perdida, já que  depois que acordo fico tentando decifrar as mensagens, meu inconsciente, e as relações existentes, enfim, trago para a realidade minha ilusão. Hoje sonhei novamente com grande intensidade uma velha e conhecida história: aviões e desastres. Acordei e fiquei imaginando o significado deles e o sentido  de  se repetirem  sempre, e vieram  aos meus pensamentos  imediatamente o filme e sua maquinaria arquitetônica. Quando criei esses cenários? Quando trouxe este enredo para minha vida? Por que sempre os aviões estão explodindo, caindo, matando pessoas? Por que estou sempre observando como uma narradora onisciente ? Perguntas que faço há muitos anos e não encontro respostas. Olho para o céu agora neste dia meio nublado e vejo que a realidade grita, explode, acusa, embora me traga paradoxalmente para meu silêncio interior. Desculpe-me  se estou caminhando e não dizendo nada, mas talvez a ideia seja esta mesma, porque sonhos vêm, aproximam-se, mexem, abrem portas e, às vezes, fecham e não dizem nada, apenas desenham um esboço e,  lá no centro  em algum um momento, criam  um ponto de fuga.

O sorriso negro da liberdade…

Publicado agosto 8, 2010 por wal5
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Mas o samba não pode acabar… a  imagem de D. Ivone Lara cantando com a voz enfraquecida pelo tempo, hoje em seu show no Teatro Guaíra, emocionou-me profundamente. A sua força  me fez lembrar da minha avó aos 94 anos cantando e sambando, da minha  infância e adolescência, dos meus primeiros passos no samba, de  encontros familiares em volta de uma boa batucada, de meus tios, de meu pai, de minha avó e de todos dançando e rindo muito. As músicas dos bambas do samba estavam no repertório. Lá estava ela também, junto a  outras rainha. Era o negro sorriso, era a harmonia na música, a felicidade na dança, nos passos, no aprendizado familiar.

Hoje era diferente,  ela estava ali no palco dizendo: eu sou o samba e  minha vida só tem sentido se estiver cantando. Uma pena que suas companheiras de voz nos seus vinte e poucos anos não entendam que devem reverenciá-la  e se quiserem cantar junto, devem descer até onde ela está e acompanhá-la  e não ter a intenção de querer mostrar mais força que a sua voz cansada. D. Ivone é única e por isso deixem-na cantar, uma rainha  não precisa de letra de música para lembrá-la, pois ela é o sorriso negro da liberdade.

Assim somos…

Publicado julho 15, 2010 por wal5
Categorias: Sem-categoria


Corações solavancos busca

Rumos

Caminhos percorrendo um tempo

O caminho mais difícil:

Simplicidade

Mudança

Evolução!

Indo e vindo…por aí

Sonhos rebeldes

Força de conquista

Liberdade

Caminhos desviam-se no egoísmo

Passos descalços em busca de aprendizado

Viver       transcedência    gerações    incompreensões

Linhagem atritos  informações  solidão   palavras  procura

Embates    batalhas    tempos    compreensão   domínio

Luminosidade na cera, luz no olhar, claridade no coração

Amor incondicional

Saramago

Publicado junho 20, 2010 por wal5
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E ele voltou para casa…

Hoje Saramago está lá no astral tentando, provavelmente, entender a espiritualidade e o ser humano. Talvez nem tenha ideia de  quanto fará falta aqui. Sinto que ficou um vazio na inteligência humana. É difícil imaginar que um pensador que movimentava este mundo com sua posição clara e crítica não escreverá mais seus livros incríveis.

Aprendi com ele e seus personagens do “Memorial do Convento” a entender as vontades humanas e respeitá-las. Com ele aprendi a refletir sobre a luz, o enxergar e passei a ver na Caverna de Platão. Com  ele aprendi a compreender que nós mulheres não sofremos de cegueira branca e que temos um papel importante neste mundo. Com ele aprendi meus ensaios sobre a vida.

“Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem.” (Saramago – Ensaio sobre a Cegueira)

Você fará falta!

Em mim, em nós, em tudo

Publicado maio 23, 2010 por wal5
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Em círculo branco

em branco círculo

teia na fina  sintonia

Espaço em branco

aos poucos o… verde

aos poucos … o azul

aos poucos … o marrom

aos poucos … o amarelo

aos poucos … o laranja

aos poucos o vermelho

e no final

Chuva no todo e no nada

tudo em branco

em mim

O SER E O NADA

Publicado abril 28, 2010 por wal5
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E antes era o nada. Já pensou sobre isso? Antes da nossa existência era o nada. Fomos escolhidos nesta vida ou em outras, mas o que antecedeu  a primeira foi o nada. Quando pensados na mente divina, fomos, existimos, somos. Egoisticamente não conseguimos imaginar a tempo humano  sem a nossa consciência. Posicionamos nosso ser na história  no coletivo social e assim não nos perdemos no vácuo. Mas antes era o nada. E se não existíssimos nem nesta ou em outra vida? Seríamos o nada.

Sempre digo que  se fomos pensados por Deus, recebemos um grande presente: o eu e a vida. Olha o privilégio de fazer parte deste mundo…isso,  deste mesmo! Cheio de problemas inventados por nós, mas repleto  de movimento interno e externo.

Já pensei em morrer várias vezes, porém foi ótimo não ter ido embora, porque compreendi que fui premiada na existência, pois se respiro, vivo, amo, aprendo, sofro, evoluo, sou parte de um todo, desta  teia de combinações  de espécies que se relacionam e lutam pela preservação. Você deve estar se perguntando – “…e o homem egoísta que está acabando com tudo?” –  O humano que desintegra os fios da teia terá  de costurá-la e aprender a pegar a agulha, a  bordar e,  depois de pronta a teia, verá que o tecido colorido e caprichado é muito melhor de vestir.

Voltemos ao nada e ao todo. Teia. Costura. Bordado. Vida. Presentear  divinos. Só temos que aprender a olhar o todo, enxergar os erros, abraçar as mudanças e ver a importância das cores. Percebendo que se deixamos de ser nada, somos obrigados a fazer parte da vida de hoje, de ontem e de amanhã.

O poeta Pessoa  já disse: ” Eu não quero ser nada, mas tenho mim todas as coisas da vida…”

Publicado abril 15, 2010 por wal5
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Ontem presenciei novamente uma cena mágica e por isso resolvi escrever este poema.

Magia das cores

Um abraço, uma ginga, um espaço

Uma época, um tempo, dois sorrisos

um jogo de pernas pra cá

um jogo de pernas pra lá

Uma volta, um sorriso, uma magia

Um olhar no olhar de parceria atemporal

Um velho no novo aqui

Um velho no novo lá

Humildade  no escorregar eterno

Um rodopiar de energias em todos nós

É preto, é preto, é preto, é preto

nossa, minha, sua história

em preto

e

em branco

Iniciação

Publicado abril 2, 2010 por wal5
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Estou diante de uma porta aberta que me aguarda   cheia de aprendizado. Tomei a decisão depois de muita reflexão, mas este passo não foi o mais difícil.  A cada movimento  dado uma dúvida, uma nova direção. Tenho medo da arrogância, da falta de humildade que percebo que ronda algumas almas que percorrem este mesmo caminho. Quero minha vida e pensar simples, quero me doar apenas e fazer corações felizes. Quero amar sem cobranças, quero crescer na direção do bem. E talvez  este desejo seja uma grande pretensão e isso me assusta. O que pensar?

Sei que há um tempo que percorre a humanidade me aguardando sem marcas, sei que há um outro mundo para olhar. Sei que há uma mata verde gritando a minha espera. Sei que há uma pedreira para quebrar. Sei que há muita água para me banhar. Sei que há uma ventania para me levar. Sei que há muitas vidas para zelar. Sei que há muitas mãos para segurar…

Eu sei tudo isso e não sei nada…

Em frente

Publicado março 20, 2010 por wal5
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3º capítulo

Sentado na sacada do seu quarto, Inácio parecia estar em transe, meditando. Ninguém se preocupava com este estado, porque era comum este distanciamento das pessoas da casa. Cada um tinha um mundo exclusivo para se preocupar, não daria tempo de perceber o estranhamento vivido pelo menino.

Por isso Inácio podia visitar o novo espaço e viver aquela novidade sem parecer um garoto maluco. Quando fechava seus  dois olhos tudo ficava mais intenso e visível. Era a penetração direta nas cores mais incríveis que havia visto. Era a sensação mais intensa que havia vivido. Era a comprovação de que há um mistério a ser desvendado pelo homem. Era o seu momento. Decidiu arriscar tudo e seguir em frente. E aos poucos seus passos iam penetrando lentamente o jogo de luzes nunca visto antes.

A cada aproximação uma quantia de aromas penetrantes invadiam o menino aventureiro e determinado. Agora eram dois sentidos que afloravam e percorriam seu corpo. A voz voltou a sussurrar em seus ouvidos. Aonde , aonde for, voaremos juntos, visitaremos em voos rasantes, amaremos em voos sedentos, renovaremos o voo da aurora em pleno dia, o seu dia! Inácio queria mais, queria deixar-se levar, mas seu corpo sofria, não estava acostumado àquilo, precisa aprender e viver a iniciação. Trêmulo prendia-se ainda no mundo da razão, o mundo da realidade humana. Precisava superar isso e seguir, mas era difícil. Uma hora conseguiria. Uma hora.

O desconhecido

Publicado março 7, 2010 por wal5
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2º capítulo

Inácio resolveu enfrentar a situação mas não contava com a sensação que envolvia o seu corpo. Era uma gostosa liquidez que escorria  e percorria seus poros. Além da cegueira pela forte luz que o impedia de ver, havia aquela vontade louca de penetrar mais fundo na leveza que o fazia pisar outro lugar.

Devagar começou deixar-se levar e foi embora. Parecia loucura, ao mesmo tempo que caminhava em direção da cozinha para encontrar sua mãe, seus passos o conduziam a outro mundo. Eram seus pensamentos? O que fazer nesta situação? Não queria pensar naquilo no momento, mas somente aproveitar cada segundo de novidades que se formavam a cada centímetro andado.

Na cozinha tudo normal. escutava  sua mãe limpando as panelas da festa da noite anterior. Não enxergava nada claramente, portanto tinha que aguçar sua audição para que ela não percebesse o que estava acontecendo. Queria curtir e não ser interrompido. Já em sua cabeça havia uma grande confusão. As cores começavam a misturar-se. Era um lugar diferente. Espera. Como  podia ser isso? Como? Foi então que notou que seus olhos estavam trabalhando de maneira diferente. Um estava aberto e o outro levemente fechado. Era como se fosse uma brincadeira, ou uma conjutivite que se manifestara  pela manhã. Agora ouvia um sussurro leve tomando conta de seu ouvido. Não era sua mãe, mas já conhecia aquela voz mesmo sendo sussurrada. Onde ouvira aquele som penetrante? A dúvida tirava sua concentração. Como ser  dois em um apenas? Resolveu arriscar e lançar-se ao desconhecido…

Brincadeira do olhar

Publicado março 6, 2010 por wal5
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1º capítulo

Era um  estado inerte. Sabe quando  acordamos e não sabemos muito bem onde estamos ? A  preguiça lenta que vem e fica, a vontade de ficar mais um pouco embaixo das cobertas quentinhas. Assim acordou Inácio. Mais um dia em sua vida, mais um acordar e o mundo todinho para ele descobrir.

Um movimento nos olhos, um abrir e uma surpresa. Onde estava a luz que penetrava em sua telinha viva?  De repente  não existia mais? Era uma sensação  diferente. Havia tanta luz  que ofuscava tudo e nada podia enxergar. Tentava mexer as pálpebras, mas elas pareciam não obedecer. Pensou em sua mãe e gritou aflito:

“Mãe estou cego, socorro!!”

Ela, como todas as outras mães,  acostumada aos alarmes falsos que os filhos produzem e aos exageros que comentem constantemente, escutou e não absorveu, simplesmente gritou e mandou que se levantasse porque já passava da hora, mesmo que  fosse  um sábado, pois  o dia estava maravilhoso!

Rolou para cá e para lá e nada de haver uma mudança. Resolveu levantar-se assim mesmo. Não enxergava nada à sua frente, mas como conhecia seu quarto de olhos fechados seguiu até a cômoda e pegou uma camiseta qualquer, chutou o tênis que estava ao lado da cama e pegou o moleton que havia deixado caído na noite anterior e se virou. Pensou que seria melhor  enfrentar o problema de frente. A luz era tanta que a impressão era de que havia ido para um outro lugar.

DÚVIDAS

Publicado fevereiro 21, 2010 por wal5
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Será que se não tivéssemos dúvidas nosso dia seria melhor? Será que a certeza destruiria este movimento interno que nos pega vez ou outra, ou vez e sempre?

Eis algumas que  andam me incomodando ultimamente:

  • Comer ou fechar a boca?
  • Falar ou calar?
  • Deixar para amanhã ou agora?
  • Ligar ou não ligar?
  • Mandar pastar ou tolerar?
  • Continuar ou ficar?
  • Mais um ou menos um?
  • Acreditar ou ignorar?
  • Homens são esses bichos esquisitos mesmo?
  • Ou nós mulheres somos as esquisitas e nem percebemos?
  • Entregar ou esperar?
  • Sapatos ou bolsas?
  • Trocar o carro ou ficar com o velho mesmo e não gastar?
  • Ser amiga do tempo ou ignorá-lo?
  • Sonho ou realidade?
  • Mandar um recado ou esquecer?
  • Amar ou deixar pra lá?
  • Trabalhar ou descansar?
  • Poetizar ou profanizar?
  • Continuar ou ficar?
  • Ler ou escrever?
  • Namorar ou namorar?
  • Revelar ou rebelar?
  • Amar ou amar?
  • Duvidar sempre?

…dúvidas

Raramente e com efeito

Publicado fevereiro 9, 2010 por wal5
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O espelho realiza a verdade
Os olhos surpreendem
A distância engana e nos deixa sem rota
O sentimento vibra no encanto
Mas em cada canto um desejo oculto
Um tempo  rarefeito
Uma espera
Solidão 
saudade

Retorno

Publicado fevereiro 7, 2010 por wal5
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Em frente dois lados

Ao lado duas frentes
Atrás um passado
À frente um futuro
Perdido?
Faça o retorno…

Retorno

Publicado fevereiro 7, 2010 por wal5
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Em frente dois lados
Ao lado duas frentes
Atrás um passado
À frente um futuro
Perdido?
Faça o retorno…

Assim não dá pra ser feliz

Publicado janeiro 26, 2010 por wal5
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Algumas amigas se encontraram para colocar a conversa em dia, a tal confraria das lobas. Um café, um vinho, uma cerveja e um único marido (claro, ele morava ali e fez questão de ficar)  deitado no sofá da sala praticando o esporte preferido deles: usar o controle remoto.

O papo rolava e o tema  predileto qual era? Sim. Homens, os homens de nossas vidas e aqueles que não fazem  parte dela, mas alegram nossa existência. Íamos e vínhamos e vários assuntos circulavam, alguns existencialistas, outros nem tanto. É claro que trabalho também fez parte da conversa, afinal somos lobas profissionais e todas na mesma área. Porém o mais divertido é falar e rir deles. Como são uns bichos estranhos e totalmente previsíveis. Palpites para relacionamentos em andamento, palpites para homens que não decidem, palpites para seduzir um na balada, palpites para esquecer o canalha…todos os palpites eram bem vindos e regados a uma bebidinha aqui, uma comidinha ali.

Até que o marido levantou do sofá e resolveu fazer parte da confraria, um estranho no ninho. Ali assinamos nosso decreto de morte. Falávamos de nosso encontro para a semana  seguinte. Uma saída de férias para dançar e comemorar o final delas. Foi aí que a namorada de uma de minhas amigas(defensoras dos homens) resolveu entregar o jogo:” Cara lá naquele bar está cheio de homens e todos prontos para atacar, eu se fosse você não deixava ela ir sozinha”. Pode ? Acabou com nossa festa… Assim não dá pra ser feliz!!!!


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