O dramático da história – parte 1

Posted Julho 10, 2009 by wal5
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O palco estava a espera dos atores para a representação tão aguardada. O público ansioso pelo recomeço. Os técnicos prontos para suprir todas as necessidades. A história marcada, ensaiada, vivida exaustivamente. Porém esqueceram  de avisar as personagens da hora e local da estreia. Vejam bem, as personagens e não os atores. Estes estavam lá, desejosos pela representação. Meia hora para iniciar o espetáculo e  elas não viam, nenhum sinal de persona criada  movimentava os lábios da atriz perdida no meio de tantos textos memorizados dia a dia nos ensaios. Mas de que adiantava se as fugitivas  nem sabiam onde era a estreia. Melhor, não fizeram questão de saber! Afinal o texto não estava agradando a nenhuma  desde o princípio. Haviam avisado, mas ninguém ouviu. Fazer o quê? Quando não se escuta paga-se caro. Piegas, dramalhão ninguém aguenta mais, nem as telenovelas…

E agora? dizia o diretor de elenco. Como faremos? Façam alguma coisa..improvisem…inventem…vocês são atores minha gente…vocês conseguem…

A atriz que encarnava a protagonista chorava no fundo  do palco. Sua vida inteira esperara por aquele momento e agora…nada. Era como um amante ansioso que a deixara na mão no último instante.Abandonada ali no meio da primeira cena. Já  o  ator que só fazia uma pequena figuração achava tudo muito engraçado e curioso. Sua décima vez em representando e nunca havia vivido algo parecido, para ele era um conto de Borges que estava saindo dos livros para a realidade. O ator que vivia o vilão estava desesperado, e se peça não desse certo? O  que faria de suas dívidas? Sua única esperança de sobreviver por uns meses e quitar todas as contas estavam naquele palco…e as personagens aprontaram isso com ele…

Público chegando. Os espetáculos  nesse teatro não costumavam  começar fora do horário, havia uma multa altíssima e a produção calculava cada segundo de atraso. Público chegando.


Amadurecendo…

Posted Julho 6, 2009 by wal5
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Sou uma mulher que vê a vida sem/com  ameaças e aprecia quantos ganhos pode-se obter  em algumas palavras ditas em  tom de despedida. Despedida? Não. Tom de recomeço, renovação, objetividade. Olhar por outro ângulo, ver à frente um novo caminho, retirar aquilo que já não serve mais e trocar, despir o velho e saborear o desconhecido apenas com o desejo de mudança. Mágoas na vida? Nenhuma. Apenas o sentimento de que poderia ter sido diferente, mas isso não depende somente de mim, vivo as relações. O não se deixar conhecer ou não querer conhecer apenas impede momentos de tranquilidade, trocas, vontades expostas…apenas! Preconceitos, julgamentos criados no tempo  de quem  não quer viver e espera um futuro que não se faz e não se fará porque o medo de dar cada passo impede os avanços,  me incomodam, pois  eu sou dos riscos…e riscos são tão bons…a aventura do desconhecido, do novo…Fui e sempre serei aquela que vive para a vanguarda, aquela que mira e atira e não tem medo de expor-se. Sou uma mulher que faz suas escolhas. Medos ficam pra depois…

Masculino, feminino e natureza em discussão

Posted Junho 30, 2009 by wal5
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” A gênese de uma civilização consiste na transição de uma condição estática para a atividade dinâmica”

(Capra)

Modificar para a paz. Movimento em harmonia e, possivelmente, a expressão que desafia a humanidade no século XXI, porém é muito difícil falar em disposição ordenada e paciente quando  a dinâmica social de séculos no mundo ocidental segue padrões que se modificaram conforme crenças, padrões regionais.

Da união à desintegração, o processo que sustenta essas variações parece estar entranto em fase terminal. Na cultura ocidental, historicamente, o domínio do patriarcado sustentou todas as bases da civilização. Com características que permeiam a competição, as conquistas, o enfrentamento e a disputa, o  mundo masculino pensou e construiu  pilares que mantêm paradigmas que até o presente, ou seja,na contemporaneidade esses regem o ser humano.A presença feminina veio sempre como sombra ou apoio para as resoluções, invenções ou experimentos do masculino. Capra afirma que este é racional e aquele intuitivo. Portanto se vimos em uma ação em que a razão predominou, é claro que o homem assumiu o papel de protagonista da história humana ocidental. No entanto tudo que se repete e compete consigo mesmo durante muito tempo chega ao caos segundo a concepção grega. Se o pensamento patriarcal segue dominando há séculos, o resultado é a chegada à crise de existência.

A falta do equilíbrio está mostrando, atualmente, que o feminino representado pela cooperação e pela recepção vem ocupando seu lugar o tempo e no espaço ocidental. A mulher, no início do séc.XX, começou a desmontrar que há uma saída e buscou esse espaço neste mundo masculino trazendo  um outro tipo de consciência: a intuitiva, sem eliminar o racional, porém unindo as duas em harmonia.Estamos num processo lento de modificação; a luta feminina teve seu auge na década de 70 e fortaleceu-se na seguinte. Hoje vemos mulheres sufocadas tentando respirar e contracenar em partilha com o homem . Este ainda resiste. E mesmo assim ouvimos   comentários masculinizados:  a mulher tem uma visão masculina, por isso é uma boa profissional.

A modernidade trouxe um sistema fragmentado, cujo movimento se faz pelas partes e estas são mais visíveis e estudadas em detrimento do todo. Esta concepção de mundo não produz relações, mas  divisões. a valorização da separação produz submissão assim como no confronto masculino/feminino, quando a direção seria a união dos contrários para uma estabilidade futura.

Novos movimentos estão surgindo para que repensemos os valores impetrados na cultura ocidental. Uma visão holística de mundo junto à intuição feminina adquirem um novo panorama humano: não mais o homem como o centro das decisões re relações, mas o humano como ser possuidor de capacidade de participação do espaço ambiental contemporâneo.

Na concepção chinesa o Yin é a consciência da natureza como co-autora, ou melhor, junção união onde o ser humano está ligado diretamente e não pode ser desvinculado desse espaço, pois seu papel tem uma função: assim como qualquer folha que cai ao chão no final de uma estação o ambiente funciona como eco-ação, cujo todo é o principal fator de sobrevivência, ao contrário do yang que é agressivo com o fator ego-ação, num processo individualista do ser.

A mudança de paradigma só  ocorrerá se houver a soma da razão à intuiçao, que sustentarão o nosso meio ambiente formado no dualismo feminino/masculino.

Violência infância e juventude

Posted Junho 27, 2009 by wal5
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“Carta de uma mãe, costureira à redação do jornal da tarde”

SR. Redator

{…}Eu queria que seu jornal mandasse uma pessoa ver o tal reformatório para ver  como são tratados os filhos dos pobres que têm a desgraça de cair nas mãos daqueles guardas sem alma. Meu filho Alonso teve lá seis meses e se eu não arranjasse tirar ele daquele inferno em vida, não sei se o desgraçado viveria mais seis meses. O menos que acontece pros filhos da gente é apanhar duas a três vezes por dia.”

(trecho extraído do romance “Capitães de Areia” de Jorge Amado – 1937)

A violência se disfarça por meio de várias desculpas e uma delas é a educação ou a a re-educação de  crianças  ou  de  adolescentes. As atitudes repressoras  encontram o caminho mais fácil na punição física ou psicológica.

Mas a negligência, o abuso sexual, a exploração comercial sexual, a indiferença, o trabalho infantil são tipos de violência que estão presentes  na sociedade, principalmente, porque quando  acontece, o resultado está diretamente ligado ao fator econômico da vítima e do explorador. O mundo adulto encontra a explicação na condição social e faz de conta que essas agressões não acontecem, ou mesmo justifica qualquer ato baseando-se nela: a miséria. Mas quando ela nasce em outras classes sociais as explicações se perdem porque as justificativas só encontram lugar no poder econômico.

É uma luta desigual, porque a criança ou adolescente não possui “as armas” do mundo adulto para se defender. O corpo ainda em formação não consegue se defender das agressões físicas. A mente ainda em formação não consegue perceber a violência psicológica que vem nas entrelinhas, nas palavras, nas ações daquele que tem o lugar de “cuidador”. A referência muitas vezes para qualquer fator de proteção fica sendo o próprio agressor. Pedro Bodê em “Juventude, medo e violência afirma  que

Todavia, tudo indica que, de maneira geral, há uma percepção mais ou menos universal de que ‘a juventude se caracteriza por seu marcado caráter de limite’ situada que está”no interior das margens móveis entre a dependência infantil e a autonomia da vida adulta, processo que remeteria à construção da identidade, cuja dinâmica constituiria, em muitos casos, uma identidade mesma que teria como marca a provisoriedade. Parecendo ser exatamente esta característica que remeteria à juventude, e mais particularmente à adolescência, para um espaço de irresponsabilidade provisória.”

Esta marca de “irresponsabilidade provisória” estabelece as justificativas para ações contra os adolescentes. Na visão do adulto este não pode responder, então se deve ensiná-lo pela força, ou pelo autoritarismo, pois ainda não compreende sua responsabilidade no espaço social familiar e comunitário.Porém isso torna-se contraditório quando os mesmos  adultos pregam penas iguais para os adolescentes em conflito com a lei. A violência é contraditória.

O trabalho infantil é justificado pela maioria da sociedade quando muitas pessoas relembram  um passado “de orgulho” por ter começado a trabalhar tão cedo e na atualidade, justificando-o pela formação do caráter,  dos valores, da luta, do afastamento das drogas, da marginalização etc. O próprio mundo adulto que espalha este discurso enfático não tem condições de perceber que a violência apenas se repete nas atitudes, nas ações, pela privação da vivência completa dos jogos infantis, quando era o momento certo para desenvolvê-los e esses foram abortados precocemente. A mente humana esconde os resultados de anos de violência e negligência no inconsciente das pessoas e fica muito difícil de perceber aquilo que ficou guardado na memória. Esta realidade realimenta este ciclo  que se estabelece na família, na comunidade, na sociedade.Assim se explica o porquê  da indignação, muitas vezes, no cumprimento do Estatuto da Criança e do adolescente.

A vítima por meio do Eca conquistou um o espaço para ser ouvida. O dar voz as crianças e adolescentes  e cuidá-las é um fator de muita importância porque dá condições de recuperação ou de amenizar situações de negligência, agressões físicas e psicológicas das vítimas. O ouvir não é uma prática muito difundida entre as pessoas, principalmente, quando se refere às  crianças  e aos adolescente, porque pode trazer problemas para o ouvinte, então atitude de ausência é mais fácil de ser praticada. O  constante foco em si mesmo, retira a possibilidade da denúncia, da indignação, do comprometer-se.

Uma sociedade que olha pelas  suas crianças e jovens é baseada em humanidade e desejo de um futuro de tranqüilidade e segurança. Quando plantamos  sementes e cuidamos  delas, regando-as diariamente, damos a elas  sol em abundância, ar puro e nossa  companhia no olhar  para seu crescimento independente, o resultado será  colhermos  flores, frutos saborosos e vivos, para assim o ciclo da existência continuar em harmonia.

O bullyng e a educação

Posted Junho 20, 2009 by wal5
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Art.5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Art.18 É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

(Estatuto da criança e do adolescente)

São tantas as formas de agressão e violência veladas que fica impossível discriminá-las. Algumas ações desencadeiam outras mais cruéis, a intensidade não segue um padrão, apenas as consequências seguem um modelo de resultados.

A “Inocência” do ato

Uma única ação tratada como inocente ou, muitas vezes, vista como inclusiva: colocar apelidos, pode gerar no tempo e no espaço diversas situações vexatórias. Aparentemente é uma ação que traz a criança ou o adolescente para o grupo. Mas pensemos sobre os apelidos. De onde eles nascem? Qual a intenção de quem o cria? Por que ele  se fixa tão rápido? Por que as pessoas ficam ofendidas quando não o aceitam? São questões que se analisadas com mais profundidade  terão como resposta o “bullyng”. Após o apelido ser assumido começam as zoações, as gozações, as humilhações etc. São consequências inevitáveis que nascem de um “simples” apelido que aparentemente foi criado com o intuito de acolher.

Entre os adolescentes e as crianças a crueldade do bullyng é vista por outro ângulo. Mas por que isso? A resposta está na sociedade construída sobre pilares de uma visão preconceituosa e de divisão de padrões. O ser humano está sempre procurando um padrão “normal” para as pessoas e, portanto, desta falta de  nascem os preconceitos e a exclusão.

Discriminar,excluir,isolar,ignorar, intimidar,perseguir,assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar,dominar são palavras e ações fortes ditas juntas, mas não reconhecidas pelos adolescentes quando se presenciam situações com características de perseguição, terror, tirania etc. Para a maioria falta o reconhecimento, ou se ele existe, logo  é minimizado. Os jovens  não atribuem  às ações seriedade, e ficam indignados porque tudo que fazem passa pela brincadeira.

“A agressão como forma de poder no jovem”

Agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences, já  pode ser  ser enquadrado em uma outra espécie de “bullyng”. Aqui  nesta situação a  agressão é explícita. O autor muitas vezes faz questão  de mostrar que sabe que o que está fazendo causa mal, destrói e, mesmo assim  ri porque esta demonstração traz poder perante a plateia que  assiste ao espetáculo e não reage, apenas concorda com a situação.

A influência do comportamento que a criança ou adolescente presencia em seu cotidiano interfere diretamente no padrão que irá adotar com as pessoas com quem  convive na escola, no clube, nas festas etc. Muitas vezes o comportamento de pais agressivos faz com o jovem traga o modelo para fora da família.

Educação como forma de conscientização”

Educar para a paz, esta talvez seja a saída. Estudar os mecanismos de paz, querer modificar e agir para que o resultado apareça são elementos essenciais para um educador. É na escola que a presença do “bullyng” é maior e portanto e nela que a resposta a ele deve ser dada.

A princípio é preciso que o mundo adulto tenha uma atitude de paz. A mediação de conflitos deve ser uma constante até mesmo na postura dos professores em relação aos alunos e na família porque a ausência de respeito na família pode ser ganho pela submissão do mais fraco, ou daquele que não pode se defender.

A cultura do terror/2

A extorsão

O insulto

A ameaça

O cascudo,

A bofetada,

A surra,

O açoite,

O quarto escuro, a ducha gelada,

O jejum obrigatório,

A comida obrigatória, a proibição de sair,

A proibição de dizer o que pensa,

A proibição de fazer o que se sente,

E a humilhação pública…

…são alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a tradição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo.

_ os direitos humanos deveriam começar em casa – comenta comigo, no Chile, Andrés Dominguez.

(Eduardo Galeano – Livro dos Abraços)

Marcas

Posted Maio 31, 2009 by wal5
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É curioso mas  quando olho a minha volta, vejo um tempo distante  que vai se aproximando novamente, lentamente, em mim. Parece brincaderia, mas situações não pensadas trazem o passado para minha reflexão. Ontem saí e quando percebi, estava rodeada de figurantes de um tempo que na minha mente não parece tão distante… mas já se vão 30 anos em minha vida, pessoas que parecem ter saído de uma caixa de supresas mágicas  de um circo do destino.

 Ao mesmo tempo que admirava as cenas, olhava cada um em particular e via as rugas, os cabelos brancos, os vícios embutidos na faces entorpecidas, o senhor tempo inexorável.Ria comigo mesma, pensando que estou na mesma situação, quantos também não me olham e pensam a mesma coisa…mas desvio e sigo em análise. A busca de uma época ainda não terminou, parece ser a mesma de antes, homens e mulheres ali querendo algo que ficou perdido, largado, esquecido. A diversão medeia a situação e disfarça as marcas ocultas em cada corpo, em cada gesto de encontro.

Será que seremos sempre assim, eternos insatisfeitos com o presente, buscando o novo num  futuro desconhecido? 

Hoje penso que a insatisfação está no ser que sente, na busca das sensações diferentes, se não houver este preenchimento tudo se perde para ele…todas as outras realizações são minimizadas, destruídas.Penso mas não compactuo com isso.

Minhas realizações são importantíssimas e carregadas de superlativos sim, porque quero que entendam  o grau de valor do tempo e do que fiz de bom ou de ruim em minha vida. Conquistei e conquistarei  sempre em constante  aprendizado, adorei minha vida…ops! Adoro e adorarei sempre…sem reclamações e procuras absurdas. Para que preocupações?  Sigo em frente saboreando as marcas deixadas em meu corpo, em minha alma, em meus amigos, nos meus amores esquecidos ou não.

Ontem foi um recorte de um espaço, de um momento que ficou lá…apenas uma recordação!

Ah, mas esqueci do melhor…o forró estava ótimo, assim como o Hermeto tocando e gritando em nossos ouvidos. Meu corpo e  minha alma…pedem música, a  arte precisa estar presente em mim sempre…dançar e saborear a música para desejar constantemente!

Viajando com os desejos

Posted Maio 29, 2009 by wal5
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Lá vinha em festa a trupe do desejo escondido. Eram umas oito figuras esquisitas que faziam  muito barulho pelas ruas da pequena cidade. Com seus movimentos retorcidos como uma dança dos tempos iniciais, eles conduziam o público com um olhar de observação e de exclamação. Diziam que traziam o desejo nas mangas ,  para tê-los, era só segui-los pois quem quisesse conseguiria encontrá-los. O presente seria dado ao público.

Seus corpos em movimento deixavam ver os ventres  em aberto, nenhum tecido os  cobria. Era ali que se fazia a ligação com as vontades escondidas e o desejo de amar. A luz entrava e os deixavam brilhar. Cada ventre trazia um desenho, um símbolo que indicava o início e o final, mas ninguém os entendia a não ser a trupe que continuava agitada e convidando a todos a participarem da grande festa que aconteceria: a festa dos desejos expostos.

Eles diziam que, se juntassem todos num só lugar, seria impossivel dominá-los. Eram uma  imensidão de vontades escondidas que pediam liberdade. A música seduzia, animava e lembrava um ritual há muito esquecido. Um sinal e,  de repente,  um rapaz franzino de olhar melancólico e sedutor que formava o grupo da trupe parou  e lançou  seu símbolo  pela rua. Os efeitos brilhantes daquele ícone rolaram  em direção a  uma moça que, timidamente,  segurou um pequeno raio  e começou  a rodopiar. Aproximou-se do rapaz que já não tinha mais o símbolo no ventre, mas agora nas mãos do feminino. Ela começou  a conduzi-lo, libertando-se do oculto: primeiro um beijo em intensidade, depois as mãos que acariciavam seus cabelos, seu rosto…os lábios não conseguiam permanecer sozinhos, solicitavam o outro em vertigem.A união desses dois mundos doía no cordão que os unia em desejo de amantes sedentos de amor.

E assim vários dos símbolos coloridos e  de diversas formas foram escapando do ventre de todos os figurantes,  percorrendo a rua à procura de um ser que os quisessem. Eram  os  desejos  despertando as vontades escondidas na população. Era o amor nascendo naquele lugar tão esquecido de desejar.

Os sons, os olhares, os sabores vinham e tomavam conta  e, num movimento do tempo, todos foram tomados pela cena e pelos amores. E assim viveram magicamente aquele momento como nunca antes acontecera. O desejo penetrara em cada um pelo ventre, pelos poros, pela boca, pelas mãos…

Era o início de tudo…

Todos exaustos deitaram-se à sombra de árvores espalhadas no caminho e relaxaram suas vidas tão amargas e sofridas. A trupe foi se retirando cantando uma música desconhecida,  mas igualmente tão familiar para aquela gente que agora não mais se reconhecia. Eles apenas estavam à espera do novo e do desconhecido para amar e desejar.

Opostos

Posted Maio 27, 2009 by wal5
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Eu gosto dos opostos, das antíteses e paradoxos…revelar-me…assim, lentamente, abrindo e fechando o véu de possibilidades. Talvez seja prepotência  minha, brincadeira, falta de decisão…não sei, mas acho que as coisas fluem melhor quando não levamos tudo  tão a sério. Portanto viver os contrários não deixa as surpresas surgirem a nos atacar de repente. É possível, penso agora que seja uma forma de defesa. Previno-me do que poderia acontecer…poderia!

Vivo cada minuto hoje olhando os passos que dou e em análise. Cada passo uma decisão. Às vezes me pego sendo extremamente apolítica, leviana até, mas é necessário entender o quanto sou humana, pois  ser é complexo e não segue uma linha reta, faz nuanças no meio do caminho…e no meio do caminho sempre haverá uma pedra…o tamanho dela é que são elas!

Mas pensei num conto agora: um conto sobre desejos…muitos desejos escondidos e expostos ( olha o jogo dos contrários entrando em mim novamente). Acho que pensarei neste conto hoje para escrevê-lo amanhã! Por enquanto segue  um poema:

 

Desejo pelo desejo real

São apenas sonhos brincando

Desejo pelo querer amar mais uma vez

São apenas sonhos reais

Desejo por você

Necessidade que me ensinou a desejar

Uma voz, um som, um beijo

um início sem fim

antecipação

Um espaço no tempo em aberto

e você se foi e esqueceu de me desejar também.

Gunar

Posted Maio 26, 2009 by wal5
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G  aroto curioso

    U ltrapassando as pistas escondidas

       N avegador de espaços solitários

          A migo em mistério

             R aridade  e compreensão

Explicações…talvez sensações

Essas são a s melhores palavras dentre todas as metáforas ocultas

De repente as coisas mudam de lugar em minha vida!

Posted Maio 24, 2009 by wal5
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Sou a mulher da palavra…silêncio não faz parte de mim. Preciso de vozes  para amar, sentir, ouvir, continuar. Não entedendo as pessoas que silenciam e nada dizem, não entendo as pessoas que miram e não atiram, não entendo as pessoas que preferem o comum  à possibilidade do novo, do diferente…não entendo…mas quem sou eu para entender a complexidade do humano?

Recentemente  a falta de voz em mim está me fazendo sentir aquela que não agradou, aquela que não vale um tempo, um espaço…aquela que não serve, aquela que  se tornou  inexistente , que apenas estava ali para servir, assim como a  vassalagem momentânea para a conquista. Procuro não pensar, porém as coisas que mudam de lugar na velocidade dos acontecimentos passam e sobrevoam meus pensamentos e repetem debochando o quanto fui e sou  incompetente em relação ao amor.

De repente as coisas mudam de lugar!

DO IT – uma releitura

Posted Maio 12, 2009 by wal5
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Senta …     e respira

                                   Tenta … pode dar certo

   Esquenta…a vida!!
   Entra…faça um convite a você mesmo…
   

 

 

 Você…aguenta!!

 

 Agite
 Credite
 Apite
 Imite… e depois…

 
                                                                   amanse
                                                                      descanse
                                                                                 dance
                                                                                alcance
                        …se dê uma chance
Lembre-se: DEUS nos dá várias chances…

quebre…a monotonia

 

              Requebre…para os problemas

Celebre…seus amores

 

Derreta-se em carinhos!!
                                            Não se submeta…à ignorância
                                                               Não se submeta…nunca!!
Procure…há sempre um lugar onde encontrar
                       

segure a mão de alguém, faz bem

                       

Se cure da tristeza
jure!
                                  Apure…e ficará melhor…mas nunca…nunca congele… a cena da vida real

 
cancele … a falta de vontade e se não der

                               

                                                                 apele…ao desejo
se rebele…contra a inércia
Nunca se atropele…caminhe…

remeta… a alguém…
se meta… no coração e acorde
E prometa…viver!!!

 

Quer saber de mais três coisas:

 

                          cai fora…se não estiver gostando
                                  namora…porque é muito bom!!
                                      chora…sem ter vergonha…e ame muito!!
      …pois amor escora e…

 
                       melhora!!!

 

                                                                              Wal 10/05

Indecisões de um viajante (continuação)

Posted Maio 7, 2009 by wal5
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De repente uma linha secreta se abre e desvenda aquilo que se escondia por detrás das cortinas do protagonista. O narrador assustou-se, a nova peça do jogo entrou sem pedir permissão e causou um tumulto momentâneo e tudo mudou de lugar. Fez-se o silêncio. Era a verdade ali na linha final.

O jogo está acabando…

Uma procura de tanto tempo desanimou o observador. Uma voz acidental falara tudo, contara tudo no lugar dele, tirara a sua vez, o seu momento…era talvez porque tivesse  ficado ali…se escondia na esquina da vida daquele personagem.

Um bom contador de histórias não pode se esconder e ele cometera o pior dos erros, escondera-se da vida.Agora tudo estava acabado, somente Amy Winehouse em seus ouvidos animava-o ou o levava à loucura. Era um conto capenga que nem começara e já fora destruído por uma situação mal calculada. Perderam-se os beijos, os abraços, o prazer de pelo menos algumas horas de duas almas ansiosas. Seria o início…o verbo…no início era o verbo…não era mais a  formação de uma história. A personagem protagonista atrasou-se e muito devagar não soube conquistar o amor…ah o amor de sua vida!

Os passos silenciosos levavam o narrador observador para outro espaço para criar um novo ambiente para sonhar junto a outro personagem, que agora andava perdido à procura de uma vida para amar.

Indecisões de um viajante

Posted Maio 5, 2009 by wal5
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Lá estava ele novamente saindo para tecer mais um traçado de caminhos em seu destino. Sua vida era ir, sempre ir. Já se tornava indecifrável os arabecos que se formavam a cada finalização de trajeto. Era um rumo vazio, de chegadas e partidas indecisas.Havia uma estação no meio do caminho e ela estava sempre contando o tempo de passagem daquele cidadão do mundo.

O narrador observava quieto em seu canto a movimentação da personagem viajante. Analisava cada passo e sua direção, muitas vezes podia perceber que o destino era uma fuga de algo que se mostrava muito maior. O fixar num determinado lugar também o fazia desviar do destino tão inexorável que teimava estar a sua frente.

Por que para ele era tão difícil aceitar as determinações dos deuses da palavra contada ? O contador de histórias não sabia. A única certeza era de que este personagem contribuía para a formação de suas histórias. Histórias que sempre primavam por um desfecho. Mas ele não saía do desenvolvimento da narrativa aventuresca, apenas sinalizava que chegaria ao clímax e  isso animava o narrador que estava ansioso por um desenlace…porém nada de clímax, sempre a fuga.

Ao mesmo tempo que a personagem era a alegria, o entusiasmo tão esperado na sua linearidade, era também a complexidade da alma humana insatisfeita com a presença e a ausência. O show tem que continuar já dizia letra de uma música, mas aqui era a história que tinha que continuar para ser finalizada e aplaudida por um público fiel.

Um enredo sem antagonistas reais, apenas abstratos que se formavam por meio de encaixes de histórias ora vividas num processo temporal cronológico, outras vezes no interior do psicológico em flash back.

A decisão era dele, somente ele podia indicar a direção e tirar o narrador daquele lugar. Antes tivesse escolhido uma onisciência para a construção de sua história. Assim apenas observador, o narrador  não poderia  inteferir e palpitar.

Nenhum movimento em seu interior, não nenhum reflexo que dissesse que teríamos um final em breve.

Aguardemos um próximo capítulo.

O que deixamos por aí…

Posted Maio 1, 2009 by wal5
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(CONTINUAÇÃO)

Lá estão elas, personagens da vida  às vezes em foco, às vezes fora de  cena. Olhares entre os vidros  passam. Param.  Uma sinaleira fecha. Um  pedaço  de uma história  a ser construída dentro de mim. Está  ali em pé à espera de minha saída de emergência. O alarme soa, mas continuo a olhar a próxima edição. Um senhor sentado num belo hotel lendo um cardápio. Uma mente lendo. Reflito sobre a existência deste homem. Somente alguns segundos dividem a cena por entre os vidros de minha janela e a imensa cortina do hotel. Um movimento: uma mulher surge e desmonta minhas hipóteses sobre aquela leitura solitária. Um corpo feminino dá o tom. E caminho…e a cena continua …cena.

Cena 2

Luzes. Prédios. Pessoas. Um recorte. Um espaço. Ninguém em cena, apenas um local. Curiosidade. Que seres o habitam? A velocidade novamente à frente e …um rosto me olha e diz que podemos viver ali.

Acho que isso é solidão…

O que deixamos por aí…

Posted Maio 1, 2009 by wal5
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Vidraças janelas espelhos pessoas. Há tanto tempo que não olhava a cidade da forma que estou olhando ultimamente. A pressa e os compromissos, a direção de um carro fazem com entremos no nosso exclusivo mundo, e este vai se construindo apenas na atenção do  carro que vai à frente e aquele que vem atrás. Vidros fechados, rádio ligado e os pensamentos e sonhos não realizados como os compromissos não cumpridos. Impossível olhar enxergar e ver, porque sair do espaço que delimitamos como nosso …é fechado.

Há alguns dias, substituí meu carro pelo caminhar e pelo ônibus. No começo houve um estranhamento. O tempo muda e tudo deve ser calculado de outra maneira. Tudo fica mais no plano da lentidão e da espera. Como venho de um lugar onde a velocidade é que comanda, mudar a rotina, mudou até meu biorritmo.

Valeu a pena esta mudança…estou voltando a um tempo em que minha vida esperava …andar devagar!

Ontem pude olhar com calma o final da tarde nas pessoas. Andando percebi que as mudanças são imensas. Antes eu andava absorta em meus pensamentos, meus sonhos, meus objetivos…agora ando prestando atenção em quem me seguia, ou ainda naqueles que podiam me atacar e levar minha bolsa. Terrível esta sensação incômoda de estar sendo vigiada e observada. Os transeuntes iam e vinham em suas individualidades, cada um deles preocupados com seus problemas e correndo para sair daquele espaço que poderia ser perigoso.

Na minha adolescência sair e caminhar e observar o movimento e as pessoas era uma distração. Às vezes pegava o percurso mais longo para encontrar meus amigos que poderiam passar pela rua XV. Ia devagar. Hoje vou …apenas vou…é apenas um caminho que leva a algum lugar.

Passei pelo Largo da Ordem depois das 18 horas e percebi o mesmo movimento agitado de todos para fugir daquele lugar. Há quase 30 anos era um espaço para os adoloscentes voltados à arte se encontrarem, ir á Cinemateca assistir àquele filme de vanguarda que poucos entendiam. Passear e conversar, namorar a qualquer hora sem perigos rondando. Um outro tempo que não volta mais para mim. Se foi … assim como os meus amores que se transformaram e não são mais os mesmos. Todos mudamos e esquecemos de um tempo só nosso …e de vida.

OLHOS NEGROS

Posted Abril 18, 2009 by wal5
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( UM CONTO … UM COMPLEMENTO)

 

A marca de carvão sinalizava o desejo em evidência na vitrine da mulher. Era na pincelada forte que chamava seu amor para o amor. Era o sinal. Havia uma senha. Dois sentidos dominavam sua alma feminina: visão e audição. O som que escorria no tempo de espera acionava cada vez mais a necessidade do prazer, mas não era de  imediato, apenas  era volumoso, apimentado, salgado, incrivelmente sonoro em seus olhos manchados de um país distante.

Novamente surgia uma falha, era o rompimento de uma linha invisível que ligava o feminino ao masculino. Culpas? Não, somente falhas no padrão humano desenhado numa fábrica que não pleiteou pela perfeição. O humano resiste, muitas vezes e não sabe o que quer. Só os olhos dela traçados a carvão sabiam onde morava a verdade que excitava e transformava os seres que a seguiam  nos olhares atentos e calados, embora quando despertados na emoção da noite, entoassem tons sedutores para aqueles que os circulavam e roçavam.Suas imagens fotografadas no um e no dois. Homem x Mulher. Poderiam ser  pele e voz em um único SER HUMANO.

Terminado o ritual, ela ia em seu destino. Havia pressa no caminhar. A noite já encostava o dia e pedia um descanso para a manhã que relutava em aparecer no cenário do filme que rolava na tela imaginada para o público fiel. Sua bolsa pesava e seus utensílios dançavam soltos naquele espaço, eram seus livros, o alimento diário de seus sonhos e fantasias. Diziam que seus ombros precisavam de um descanso, mas o coração só lembrava do pedido que seus olhos negros haviam feito: Vá e encontre seu caminho…deseje seu destino e ele virá…

Sabia que faltava pouco para chegar ao ponto de partida. Quando olhasse para a linha de início e ao mesmo tempo terminal, veria seu futuro e seu único perfeito se aproximar e, sem palavras, mas com um beijo em negro olhar, apresentaria-se a ela e uma nova vida  naquele instante começaria. Seria mais um momento de encontro. Mulher + Homem. O sol nascia em silêncio. O mundo observava a cena em tela de cristal líquido no final da quadra 21.

                                                           *

Ao redor dele muitas passagens e nenhum sinal que indicasse um passado, um presente ou um futuro, apenas um sentimento estranho de encontro e desencontro que circulava em seu sangue, em sua pele. O que fazer com isso? , me perco em pensamentos … desejos e fujo pra longe…onde irei parar … sofrimento, aventura, loucura,…desejo de estar e não estar, a incerteza que vem em uma palavra uma ação uma reação um choque um beijo de fuga…

Era noite em seu peito, nuvens carregadas de dúvidas iam e  vinham em sua direção. Seus olhos não aguentavam mais tamanha tristeza e ansiedade por ela que não dizia palavra, apenas fugia no caminho traçado na linha do tempo para os dois. Ele tinha certeza disso, mas também escolhia o caminho da dor, da volta, do pretérito mais próximo do que aquele que havia ficado guardado em seu Ser homem.

Lágrimas vinham e desciam em seu rosto. A alegria disfarçada no olhar distante de um  masculino envolto em beleza interior. O melhor seria envolver-se em meio à multidão tão aflita pelo ter e apressada pelo poder. O conhecimento tomava conta de seu destino. Abria-se um caminho, em cena a rua …

                                                      *

Rua 21 um encontro…

O olhar baixo que procurava pelo chão sem saber muito o porquê, mas apenas um sentido, uma intuição…num movimento das pálpebras cansadas havia uma elevação morna, um peso que não permitia o foco, apontar uma direção, mas tudo conduzia e, de repente, no não querer  se deparou  com outro olhar perdido e sofrido.

Era distante e silencioso e vinha em sua direção. Um calafrio passou pelo seu corpo  explodindo o desejo escondido e até mesmo esquecido do homem que vivia entre a tristeza e a alegria dissimulada.

Era negro, muito negro como o seu dia e combinava com o ambiente em cena. Ela caminhava e carregava o peso da vida nos ombros, ele podia sentir dentro dele toda aquela sensação que  a  acompanhava, era o feminino ali exposto. A beleza não estava no olhar tão marcante, mas nos passos amargos que vinham em sua direção. Cada vez mais se aproximava. Era o momento perfeito e ele não poderia perdê-lo por nada. Mas como fazer?

                                                           *

Rua 21 um encontro

Em meio ao despontar dos raios da manhã, ele apareceu tão melancólico e vinha em sua direção. Seria ele? A grande dúvida.. .o destino….o sabor do tempo…é o ponto de partida finalmente? O que fazer? Imediatamente seus pensamentos procuravam uma dica em tantos outros esquecidos e abandonados pela falta de prática de flertar, de amar…

Apenas alguns segundos os separavam, era a chance de roçar o desejo e ser feliz!

Um espaço, um tempo, um som, um momento apenas… e ele chegou…seus pelos suaves roçaram sua pele e por um segundo o relógio quebrou.

Viveram o ardor do amor apenas naquele roçar de braços, uma viagem ao paraíso da sedução…uma sensação de prazer profundo…um amor que queimava por dentro e fora, um beijo masculino inexplicável…um beijo que se impôs…um beijo esperado…um beijo indecifrável…uma mistura de paixão, de medo, de paz, de imposição masculina e procura feminina. Começava o jogo de pernas de bocas de braços e abraços. Iniciava a explosão e a chegada do caos ao mundo. A zona de conforto deixou de existir em apenas um segundo. Quanto tempo tem um segundo? Uma hora, três, cinco, um amor perfeito…não sei, mas o pensamento, a imaginação sabem…

O roçar dos pelos e o caminhar…um encontro…e a vida em frente  à  rua 21 … na ficção da tela de cristal líquido.

Olhos negros II

Posted Abril 17, 2009 by wal5
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Ao redor dele muitas passagens e nenhum sinal que indicasse um passado, um presente ou um futuro, apenas um sentimento estranho de encontro e desencontro que circulava em seu sangue,em sua pele. O que fazer com isso, me perco em pensamentos, desejos e fujo pra longe…onde irei parar … sofrimento, aventura, loucura,…desejo de estar e não estar, a incerteza que vem em uma palavra uma ação uma reação um choque um beijo de fuga…

Era noite em seu peito, nuvens carregadas de dúvidas iam e  vinham em sua direção. Seus olhos não aguentavam mais tamanha tristeza e ansiedade por ela que não dizia palavra, apenas fugia no caminho traçado na linha do tempo para os dois. Ele tinha certeza disso, mas também escolhia o caminho da dor, da volta, do pretérito mais próximo do que aquele que havia ficado guardado em seu Ser homem.

Lágrimas vinham e desciam em seu rosto. A alegria disfarçada no olhar distante de um  masculino envolto em beleza interior. O melhor seria envolver-se em meio à multidão tão aflita pelo ter e apressada pelo poder. O conhecimento tomava conta de seu destino. Abria-se um caminho, em cena a rua 21 e um encontro…

Minha Vida

Posted Abril 10, 2009 by wal5
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É assim…uma vida…uma lembrança que fica…

PÁSCOA

Posted Abril 8, 2009 by wal5
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Ostern , عيد الفصح (ʿĪdu l-Fiṣḥ), Пасха (Paskha),Pasqua , Pascua, Pasko,Pääsiäine,Pâques , Pasche , აღდგომა (Aghdgoma),Πάσχα (Páscha) ,Easter ,Cáisg , Paska ,Pasqua , Pascha ou Festa Paschalia ,Pasen ,Påske ,Wielkanoc,Páscoa ,Paşti , Пасха (Paskha) ,Påsk

Os diferentes significados da palavra Páscoa variam conforme a cultura, as crenças, a visão de mundo de cada pessoa. Os diferentes fonemas pronunciados formam uma melodia harmoniosa e garantem, na  diferença,  o valor desta festa tão antiga em nosso calendário, seja ele ocidental ou oriental. 

Buscamos sempre um caminho, um sinal que nos ajude a compreender tantos distanciamentos, tantos conflitos, tanto desamor entre  os homens.Para que haja uma Páscoa completa, precisamos de espaços que garantam a aproximação, a aceitação, o acreditar no humano.

O sentido que tanto procuramos está no significado criado pela própria natureza com seus ciclos de renovação e fertilidade, oriundos de tempo remoto antes do verbo. A vida veio para se transformar a cada segundo, e, nós seres humanos, ficamos apenas na repetição e não na mudança de ações. O ar que respiramos, o sopro que faz circular a vida  conectada por fios que se entrelaçam em teias que compõem o todo que se iniciou no caos, sinaliza que a paz está na vida e a vida está na  paz. Sem elas deixamos de existir, apenas passamos pela existência e não vivemos plenamente a grande missão humana: crescer e se transformar cada vez mais no amor entre todos os seres viventes.

Páscoa  é  vida, transformação,aprendizado, renovação , passagem/tempo/espaço  para os homens e a mãe natureza.

Assim desejo a todos uma feliz Páscoa em comunhão com o universo de onde viemos, estamos e iremos!

 

 

Significados

Posted Abril 5, 2009 by wal5
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As palavras vêm e se acomodam em nossa caixa mental e, com o tempo, deixamos de pensar sobre elas. Se conhecemos o significado primeiro,usamo-lo sem realmente voltar a raiz e entender porque ela foi criada, com que intenção ela passou a fazer parte da língua portuguesa.

Venho pensando muito sobre isso, principalmente hoje em que tudo passou a ser superficial, tudo mesmo! Nem mais os sentimentos podem ser aprofundados, e quando são demonstrados passam a ser  tratados como sentimentaloides, piegas e tudo mais.

Mas voltemos aos significados, já faz algum tempo que procuro eliminar do meu vocabulário , em expansão diária, a palavra aluno. Parece, a princípio, estranho para você, não é leitor? Afinal sou uma professora  e sempre repito  que eles são centro da minha vida profissional, porém o  eliminar aqui é puramente pelo significado da palavra. O “A”  é um prefixo que significa “sem” e “Luno”  um radical que  significa ”luz”. Para os antigos gregos, os alunos eram seres sem luz, isto é , rasos de conhecimento, assim por meio desta visão  esse termo se perpetuou durante séculos na nossa língua, até porque há um preconceito  contra  as crianças e adolescentes (ainda há) de que são seres em crescimento intelectual, assim sem conhecimento pleno. Balela, eles são iluminados, conhecedores, sabemos que já nascem com uma carga genética de informação e que vão construindo seu conhecimento segundo a segundo em suas vidas e que não são seres sem luz. Quem trabalha e ama a educação sabe disso.

Outra palavra é denegrir, ora “de”  é outro prefixo que significa “de cima para baixo” e o radical negrir refere-se a cor negra. Já entendeu, não é?Quando usamos esta palavra para indicar que algo vai denegrir a imagem, estamos automaticmente reforçando o racismo. Por que o negro precisa fazer parte de uma desvalorização? Por que não falamos “debranquir”?

Assim, como dizia a poeta Cecília Meireles “ Ah, palavras que estranha potência a vossa”, temos uma arma poderosa em nossas mãos que pode dar vida ou matar, depende de como a usamos. A força está em sabê-las, reconhecê-las e amá-las.

Minha profissão é linda, concordam? Existe arma mais poderosa do que a palavra? Amo ser professora de Língua Portuguesa.

Gerações

Posted Abril 2, 2009 by wal5
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Hoje fiquei analisando o blog da minha filha, a escrita dela e percebi que somos muito diferentes na maneira como enxegamos o mundo. Ela é mordaz, cortante, direta, atrevida, despreocupada e eu sou o contrário de tudo isso.

O  mais interessante é que já fui assim muito parecida com ela. Consigo me ver nela  nos trejeitos, nas atitudes, no olhar, na ousadia, nos enfrentamentos, mas só que isso foi há muitos anos. Está explicado porque  nos atacamos muitas das vezes. É claro, os opostos se atraem e  os iguais se repelem. Só compreendi  agora que não sabia transformar em palavras todo o meu atrevimento, pois minha maneira despreocupada vinha de outra forma: sempre buscando entender aquilo que me parecia mais difícil introspectivamente, eu comigo mesma, talvez esteja aí a nossa grande diferença. Ousada  esta é descrição mais adequada pra ela.

Quem quiser conhecer o blog dela, aí vai o endereço:

www.bellenda.wordpress.com

Conquistar: uma arte

Posted Março 31, 2009 by wal5
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As pessoas nascem e vão conquistando seus espaços, estabelecendo-se para amar. Ovídio em “A arte de amar” revelou todos os seus segredos sobre os jogos de sedução. Deu-se como exemplo, foi expulso pelo imperador, mas amou… e como amou! Lá  no mundo clássico, o  poeta   escreveu o  manual sobre a conquista  amorosa, mas hoje, depois de tanto tempo, eu ainda não aprendi a lidar com ela,  mesmo sendo uma leitora atenta desse manual. 

Como é  difícil  seduzir quem me interessa. Perco-me no espaço, escondo-me, procuro explicações, fico intimidade, morro por dentro … e  um levo fora! Nunca aprendi a jogar, aliás detesto isso! Talvez seja esta minha mania de ser senhora de si, aquela que aparenta  estar no ataque, mas corre para a área adversária e perde a partida.

Existem pessoas que são apaixonantes… ou melhor como diria Ovídio, sabem bem aplicar seus ensinamentos tão antigos.Eu sou uma porta quando se trata de amor. Uma máquina humana cheia de defeitos de fábrica. Sou lenta e sonhadora, vivo mais junto aos deuses do que na terra com os humanos. O ar é meu lugar, vivo divagando, esperando por sinais… fico esperando…entendi…nada acontecerá!

Resumindo: sou um desastre ambulante…alguns são metamorfoses e conseguem parodiar kafka, eu apenas sei lê-lo e entendê-lo. Descobri hoje que não há chances…volto ao início de sempre. Volto ao verbo esquecer, abandonar, recomeçar…é o que me resta!!

Afinal o que fazer quando se é professora, mas não se aprende o verbo básico do poeta Ovídio: seduzir para conquistar e manter!

Movimentos

Posted Março 29, 2009 by wal5
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Virar aqui ou ali nem sempre  indica um final, mas, às vezes, lança o clímax que aponta um desfecho dolorido. Apenas um passo, um tropeço e tudo se desfaz.

O movimento desperta as sensações e os segundos que as antecedem,parecem que  vêm em câmera lenta…cada quadro da situação vai se montando na cena real ou como diria um personagem de Matrix: uma cena suprarreal que  beira a ficção.

Cada milésimo de segundo acompanha o pensamento, as palavras não cabem, apenas as sensações e o impacto mostrando a dura e cruel verdade. Não há escapatória. Ultrapassa-se o epílogo da história e tudo cai num soco único e aí a dor dilacera, grita, chora, chama, pede. E assim, inexplicavelmente, uma criança acorda e volta ao mundo e pede colo, apenas um colo.

Mal sabe ela que está inexoravelmente fadada a somente acolher em seu colo e que o direito de receber é de poucos. Ela deverá esperar a dor passar e talvez um dia o mereça ou talvez fique apenas no desejo de desejar.

Todos os movimentos são em vão.

O que dizer a ela?

 ”Acorde e pise o chão,mesmo que a dor exista, porque uma hora ela irá para outro caminho. O caminho dos sonhos sonhados, assim mesmo, no mais vulgar dos pleonasmos, pois o tempo tudo acolhe.”

Algumas horas de domingo

Posted Março 11, 2009 by wal5
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Mudar o foco e virar a rotina de cabeça pra baixo. Isso aconteceu há pouco comigo, me libertei dos compromissos rotineiros e olhei o tempo de maneira diferente, talvez porque estivesse acompanhada dele.Como assim acompanhada do tempo? Talvez pra ser mais clara de um representante dele.

O Senhor Tempo tem algumas qualidades inexplicáveis, são aquelas que movimentam a vida da gente sem que se perceba sua função, por isso tão misteriosas.

O Senhor Tempo também respira a palavra de maneira diferente: elabora de outra forma, aplica aqui, destrói ali, e assim vai formulando hípóteses que viram antíteses porque ao mesmo instante dizem e descontroem um pensamento já formado.

O Senhor Tempo é lindo e sedutor, adora brincar com a sensualidade e deixá-la passar nas entrelinhas seu sabor. Seu instrumento melhor? Até agora a palavra e suas atitudes… até agora!

Bem, mas este Senhor Tempo distrai-se com um vento, uma brisa e me esquece aqui em meus pensamentos!

Ainda há tempo, Senhor do Tempo?

Quem sabe a resposta…

Insônia

Posted Março 11, 2009 by wal5
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E num instante os olhos se abrem e descobrem que ficarão novamente vagando nas horas que crescerão.

 Sem ao menos perguntar se eles gostariam de ficar ali num movimeto incessante de busca de algo que se perdeu no dia, elas passam e levam a tiracolo meu tempo.

As olheiras fixam-se e descobrem seu lugar em meu rosto indeciso.

Dormir 3 horas a cada noite sinaliza que algo não vai bem;pergunto-me o que seria …e não vem a resposta.

Vejo filmes do meu presente do meu passado do meu futuro e não descubro o real, apenas (re)crio situações inventadas e não percebo a verdadeira exposta. Afinal tudo é ficção, até mesmo a realidade mais visível.

Encontro uma resposta, ela está ali me olhando e sorrindo para mim…me observando, me analisando…mas viro para o outro lado e digo:

_ Deixa pra lá!!! Quero mesmo é dormir 8 horas de sono tranquilo…

Um encontro emocionante

Posted Fevereiro 8, 2009 by wal5
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 Missão Marista em Ponta Grossa: um aprendizado.

Quando eles chegaram e ficaram aguardando o encontro, logo imaginei “serão eles as minha família aqui em Ponta Grossa, tenho certeza que Deus os mandou pra mim”. E não deu outra, foram eles que me acolheram na casa da felicidade. A partir do momento que eles vieram para minha vida, um novo caminho começou a se formar em mim. Para Física Quântica temos várias direções a escolher, ao receber o convite do Waldis e ter decidido ir à  missão, escolhi a melhor de todas e foi um presente para  minha história de pessoa humana.Foram poucas noites, mas de muita qualidade e aprendizado. Deficientes físicos somos nós que reclamamos de tudo que  temos que fazer; sempre a qualquer tarefa  a mais… um resmungo.Eles não. São apaixonados, apaixonados a cada hora da vida. Desejam produzir, ter tarefas, participar, cada problema, uma resolução e uma vitória. Belos Lu e Luís, meus queridos amigos, apresentados por Deus para que eu repensasse minha vida também tão bela. Não estou exagerando em falar que poucas vezes me emocionei tanto.Um sentimento de paz  tomou conta de mim naqueles dias de Missão Marista. Um anatagonismo inexplicável: chorava de felicidade. Aprendi a amar pelo olhar, pelo ouvir e pelo exemplo. Um marido apaixonado e uma esposa especial. Lu e Luís para sempre em meu coração.

Vi Deus nos olhos da juventude

Posted Fevereiro 1, 2009 by wal5
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Eu vi Deus nos olhos da juventude. Uma experiência única. Ainda não consigo nomear esta sensação, só lembro de meus passos, das minhas horas, das minhas conversas, dos amores que fiz ou reforcei. A cada minuto vivido nesta semana, uma nova vida brotou em mim. A cada palavra uma interiorização. A cada sorriso um despertar. A cada abraço uma lágrima de suavidade se plantava nos meus olhos. A cada gota de chuva uma verdade apresentada. Vivi a intensidade num grau que nem desconfiava que viveria, uma espiritualização, um meditar, um encontro com o cosmo, um encontro com Deus! Realmente o bem pode ser regado aos poucos sem que  percebamos que o  estamos cultivando. Encontrei meus ex-alunos e vibrei com o que se tornaram e senti um dedo de cada professor que,de maneira simples, tocaram suas almas e construíram seres especiais. Há esperança para o mundo, nunca deixarei de acreditar enquanto a juventude tiver esta força vibrante e a luz divina dando a direção de todos nós.

Amigo,Amor e Paixão

Posted Janeiro 16, 2009 by wal5
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Resolvi escrever sobre amizade, amor e paixão para eu mesma tentar entender o que tudo isso significa, sem ser prentensiosa. Bem, vou começar pela amizade, porque hoje é o que mais me divide e me assusta.

Pego algumas referências para me direcionar. Tenho grandes amigas, pessoas maravilhosas com quem divido, confidencio, ajudo, sofro, torço, critico, tenho raiva, tenho amor e assim posso entender o que é a amizade. Ser amigo é viver perto e longe sem nunca deixar de ser, é também arranjar tempo para ouvir,  falar,  brincar, sair.É olhar para a pessoa e já entender que algo está muito certo ou muito errado; é saber do passado, do futuro,e do presente e respeitar os tempos dela. É conhecer o parceiro mala, ou a parceira mala e tolerar porque é dele ou dela que o amigo gosta.

Mas e o amor? Ah, este  vai além da amizade,pois  envolve química e vem devagar, vai entrando e se acomodando sem que se perceba. Posso amar meus amigos? Posso. Mas o amor aqui tratado neste momento do texto é entre duas pessoas em interação, uma sensação que envolve química e  prazer, leveza e união sem pretensões, diria que é a amizade refinada, seria  mais uma sensação que beira a espiritualidade, pois pode durar. Não, espere! Dura uma vida inteira. Não se transforma em ódio, ou se desfaz por qualquer coisa. Por isso, o amor é divino, não cobra nada, apenas se delicia dos momentos vividos.

A paixão? Acho que descobri com o tempo que esta nós criamos quando queremos. Ela está mais próxima do racional do que se imagina. Estranho? É um verdadeiro paradoxo. É assim: mira-se  e escolhe-se , no meio de tantos, uma pessoa  que, às vezes, ou quase sempre, nem imagina que está sendo alvo. E esta escolha vem por conta de um contexto, e este  pode envolver carência, solidão, desejo, desafio, conhecer o diferente, provar do proibido. Por isso é racional, parte de um  mundo objetivo, pensado e analisado. O amor é pra sempre e  sempre é subjetivo, é sensação, é doação, é  um querer que esquenta, acalenta o ser, um embalo suave, que mesmo que vá embora por anos, fica na alma guardado e, sem que percebamos, conduz o fio da vida.

Estou apaixonada? Não, mas acho que estou amando muitas pessoas em minha vida, porque quando penso e me lembro, sinto-me acalentada. Quero me apaixonar? Hoje não mais. Quero apenas amar.

Na cegueira de luz

Posted Janeiro 12, 2009 by wal5
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Ontem assisti ao filme Ensaio sobre a cegueira. Já havia lido o livro há algum tempo, aliás a trilogia: Memorial do Convento (estupendo!!), Ensaio (intrigante) e A Caverna ( marcante). Sou apaixonada por este português chamado Saramago e por outros tantos…mas o que realmente me faz escrever este texto é a intensidade das palavras desse  sujeito -autor -narrador e,agora, as imagens unindo-se a elas no cinema.

É claro que esse livro tinha que virar filme, pois o jogo do olhar, do ver e do enxergar estabelece um diálogo constante na tela maior. Estaríamos olhando, vendo, ou enxergando a história em imagens? Estaríamos cegos tentando decifrar um código? Estaríamos seduzidos pela cegueira branca e,portanto,  deixamos de enxergar os  distantes reflexos do humano em nós mesmos?

Bem vamos por partes:

Em primeiro lugar o que entendemos por olhar,ver e enxergar? São palavras, sons, significados diferentes que  ocupam espaços distintos de observação. Olhar me parece apenas o admirar para descrever o que é exterior. Ver vai além da superfície, penetra diretamente no significado, no código e presenteia quem sabe ler. Enxergar extrapola o interno, porque relaciona, disseca, costura, define, associa, … cria novos olhares.

Assim, no filme, essas posições do ver, do olhar e do enxergar fazem com que o humano se destrua diante de nós leitores  de palavras e  imagens a cada sequência,a cada plano, a cada movimento, a cada tomada, a cada palavra lida e interpretada. É a desconstrução da razão, das verdades estabelecidas, da moral, da ética, das relações.E isso se dá  por meio da cegueira para que haja  um retorno do caos estabelecido na mulher que vê, que enxerga além do primeiro plano. É ela que mantém o humano quase perdido no grupo heterogêneo. Ela representa o início, o retorno, a vida e a esperança de uma visão de futuro.A mulher é personagem marcante nas outras duas histórias da trilogia, pois enxerga  as vontades do humano e tem a oportunidade de escolher o caminho no  seu olhar transformador.

Não importa, no shopping, na caverna de Platão, na cidade cosmopolita de Meirelles, ou no Convento de um passado distante, estaremos sempre a mercê do olhar, do ver e do enxergar do outro como  um jogo de espelhos que refletem imagens, luzes, fatos, ações, posições, sentimentos, emoções humanas construídas no conhecimento e no crescimento. Queremos enxergar a alteridade? Queremos nos fazermos nas relações? Queremos nos entregar às emoções? Queremos reconstruir a partir do nada? Queremos?

Saramago levantou novamente a questão tão discutida na filosofia da antiguidade ou mesmo na mais contemporânea de Derrida: Desconstruir um modelo estabelecido por meio de um novo olhar humano.

Enfrentamentos

Posted Janeiro 5, 2009 by wal5
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Por que às vezes tomar uma atitude é tão difícil? Por que existe a tal da insegurança?

Aprendi nestes últimos anos que devemos sempre revelar aquilo que sentimos, mesmo achando que aquele que ouve não entenderá ou lamentará. O mais importante é não perder tempo pensando, pensando…pensand…o tempo, sempre ele…quanto dele perdemos em nossas vidas tentando tomar coragem ou ainda preparando o momento certo.

Não existe momento certo, o que há é um movimento dos lábios e os sons que podem ser  emitidos sem pensar , nada de buscar as palavras certas, sabe por quê? Elas surgem junto com o sentimento e parecerão  as mais certas…então por que ficamos assim tão temerosos? Somos levados a agir desta forma porque aprendemos a nos controlar desde que nascemos e aí vamos estabelecendo este freio pelo resto da vida. Mas a vida tem um tempo e deixá-lo passar por medo de falar é a mais pura besteira. Já falei, já sinalizei, já quis, já cansei, já amei, já falei…agora apenas espero, não estou sob controle, mas fora dele..queria tanto abrir meu espaço para dividir  em grito, em tempestade, em provocações, em encantamento.

Queria…e ainda quero!!