Movimentos
Virar aqui ou ali nem sempre indica um final, mas, às vezes, lança o clímax que aponta um desfecho dolorido. Apenas um passo, um tropeço e tudo se desfaz.
O movimento desperta as sensações e os segundos que as antecedem,parecem que vêm em câmera lenta…cada quadro da situação vai se montando na cena real ou como diria um personagem de Matrix: uma cena suprarreal que beira a ficção.
Cada milésimo de segundo acompanha o pensamento, as palavras não cabem, apenas as sensações e o impacto mostrando a dura e cruel verdade. Não há escapatória. Ultrapassa-se o epílogo da história e tudo cai num soco único e aí a dor dilacera, grita, chora, chama, pede. E assim, inexplicavelmente, uma criança acorda e volta ao mundo e pede colo, apenas um colo.
Mal sabe ela que está inexoravelmente fadada a somente acolher em seu colo e que o direito de receber é de poucos. Ela deverá esperar a dor passar e talvez um dia o mereça ou talvez fique apenas no desejo de desejar.
Todos os movimentos são em vão.
O que dizer a ela?
”Acorde e pise o chão,mesmo que a dor exista, porque uma hora ela irá para outro caminho. O caminho dos sonhos sonhados, assim mesmo, no mais vulgar dos pleonasmos, pois o tempo tudo acolhe.”