Conquistar: uma arte
As pessoas nascem e vão conquistando seus espaços, estabelecendo-se para amar. Ovídio em “A arte de amar” revelou todos os seus segredos sobre os jogos de sedução. Deu-se como exemplo, foi expulso pelo imperador, mas amou… e como amou! Lá no mundo clássico, o poeta escreveu o manual sobre a conquista amorosa, mas hoje, depois de tanto tempo, eu ainda não aprendi a lidar com ela, mesmo sendo uma leitora atenta desse manual.
Como é difícil seduzir quem me interessa. Perco-me no espaço, escondo-me, procuro explicações, fico intimidade, morro por dentro … e um levo fora! Nunca aprendi a jogar, aliás detesto isso! Talvez seja esta minha mania de ser senhora de si, aquela que aparenta estar no ataque, mas corre para a área adversária e perde a partida.
Existem pessoas que são apaixonantes… ou melhor como diria Ovídio, sabem bem aplicar seus ensinamentos tão antigos.Eu sou uma porta quando se trata de amor. Uma máquina humana cheia de defeitos de fábrica. Sou lenta e sonhadora, vivo mais junto aos deuses do que na terra com os humanos. O ar é meu lugar, vivo divagando, esperando por sinais… fico esperando…entendi…nada acontecerá!
Resumindo: sou um desastre ambulante…alguns são metamorfoses e conseguem parodiar kafka, eu apenas sei lê-lo e entendê-lo. Descobri hoje que não há chances…volto ao início de sempre. Volto ao verbo esquecer, abandonar, recomeçar…é o que me resta!!
Afinal o que fazer quando se é professora, mas não se aprende o verbo básico do poeta Ovídio: seduzir para conquistar e manter!