O que deixamos por aí…

Vidraças janelas espelhos pessoas. Há tanto tempo que não olhava a cidade da forma que estou olhando ultimamente. A pressa e os compromissos, a direção de um carro fazem com entremos no nosso exclusivo mundo, e este vai se construindo apenas na atenção do  carro que vai à frente e aquele que vem atrás. Vidros fechados, rádio ligado e os pensamentos e sonhos não realizados como os compromissos não cumpridos. Impossível olhar enxergar e ver, porque sair do espaço que delimitamos como nosso …é fechado.

Há alguns dias, substituí meu carro pelo caminhar e pelo ônibus. No começo houve um estranhamento. O tempo muda e tudo deve ser calculado de outra maneira. Tudo fica mais no plano da lentidão e da espera. Como venho de um lugar onde a velocidade é que comanda, mudar a rotina, mudou até meu biorritmo.

Valeu a pena esta mudança…estou voltando a um tempo em que minha vida esperava …andar devagar!

Ontem pude olhar com calma o final da tarde nas pessoas. Andando percebi que as mudanças são imensas. Antes eu andava absorta em meus pensamentos, meus sonhos, meus objetivos…agora ando prestando atenção em quem me seguia, ou ainda naqueles que podiam me atacar e levar minha bolsa. Terrível esta sensação incômoda de estar sendo vigiada e observada. Os transeuntes iam e vinham em suas individualidades, cada um deles preocupados com seus problemas e correndo para sair daquele espaço que poderia ser perigoso.

Na minha adolescência sair e caminhar e observar o movimento e as pessoas era uma distração. Às vezes pegava o percurso mais longo para encontrar meus amigos que poderiam passar pela rua XV. Ia devagar. Hoje vou …apenas vou…é apenas um caminho que leva a algum lugar.

Passei pelo Largo da Ordem depois das 18 horas e percebi o mesmo movimento agitado de todos para fugir daquele lugar. Há quase 30 anos era um espaço para os adoloscentes voltados à arte se encontrarem, ir á Cinemateca assistir àquele filme de vanguarda que poucos entendiam. Passear e conversar, namorar a qualquer hora sem perigos rondando. Um outro tempo que não volta mais para mim. Se foi … assim como os meus amores que se transformaram e não são mais os mesmos. Todos mudamos e esquecemos de um tempo só nosso …e de vida.

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One Comment on “O que deixamos por aí…”

  1. Gunar Says:

    O que deixamos,
    Serão apenas rastros,
    Para que alguém um dia perceba,
    Que por aí andamos?

    As pessoas passam,
    Pelo Largo da Ordem.
    Se for um batalhão da polícia,
    Alguém estará dando ordens!

    Tudo muda com o tempo,
    Ficam apenas as lembranças,
    Que por aí deixamos!

    Beijos


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