O bullyng e a educação
Art.5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Art.18 É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
(Estatuto da criança e do adolescente)
São tantas as formas de agressão e violência veladas que fica impossível discriminá-las. Algumas ações desencadeiam outras mais cruéis, a intensidade não segue um padrão, apenas as consequências seguem um modelo de resultados.
A “Inocência” do ato
Uma única ação tratada como inocente ou, muitas vezes, vista como inclusiva: colocar apelidos, pode gerar no tempo e no espaço diversas situações vexatórias. Aparentemente é uma ação que traz a criança ou o adolescente para o grupo. Mas pensemos sobre os apelidos. De onde eles nascem? Qual a intenção de quem o cria? Por que ele se fixa tão rápido? Por que as pessoas ficam ofendidas quando não o aceitam? São questões que se analisadas com mais profundidade terão como resposta o “bullyng”. Após o apelido ser assumido começam as zoações, as gozações, as humilhações etc. São consequências inevitáveis que nascem de um “simples” apelido que aparentemente foi criado com o intuito de acolher.
Entre os adolescentes e as crianças a crueldade do bullyng é vista por outro ângulo. Mas por que isso? A resposta está na sociedade construída sobre pilares de uma visão preconceituosa e de divisão de padrões. O ser humano está sempre procurando um padrão “normal” para as pessoas e, portanto, desta falta de nascem os preconceitos e a exclusão.
Discriminar,excluir,isolar,ignorar, intimidar,perseguir,assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar,dominar são palavras e ações fortes ditas juntas, mas não reconhecidas pelos adolescentes quando se presenciam situações com características de perseguição, terror, tirania etc. Para a maioria falta o reconhecimento, ou se ele existe, logo é minimizado. Os jovens não atribuem às ações seriedade, e ficam indignados porque tudo que fazem passa pela brincadeira.
“A agressão como forma de poder no jovem”
Agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences, já pode ser ser enquadrado em uma outra espécie de “bullyng”. Aqui nesta situação a agressão é explícita. O autor muitas vezes faz questão de mostrar que sabe que o que está fazendo causa mal, destrói e, mesmo assim ri porque esta demonstração traz poder perante a plateia que assiste ao espetáculo e não reage, apenas concorda com a situação.
A influência do comportamento que a criança ou adolescente presencia em seu cotidiano interfere diretamente no padrão que irá adotar com as pessoas com quem convive na escola, no clube, nas festas etc. Muitas vezes o comportamento de pais agressivos faz com o jovem traga o modelo para fora da família.
Educação como forma de conscientização”
Educar para a paz, esta talvez seja a saída. Estudar os mecanismos de paz, querer modificar e agir para que o resultado apareça são elementos essenciais para um educador. É na escola que a presença do “bullyng” é maior e portanto e nela que a resposta a ele deve ser dada.
A princípio é preciso que o mundo adulto tenha uma atitude de paz. A mediação de conflitos deve ser uma constante até mesmo na postura dos professores em relação aos alunos e na família porque a ausência de respeito na família pode ser ganho pela submissão do mais fraco, ou daquele que não pode se defender.
“
A cultura do terror/2
A extorsão
O insulto
A ameaça
O cascudo,
A bofetada,
A surra,
O açoite,
O quarto escuro, a ducha gelada,
O jejum obrigatório,
A comida obrigatória, a proibição de sair,
A proibição de dizer o que pensa,
A proibição de fazer o que se sente,
E a humilhação pública…
…são alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a tradição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo.
_ os direitos humanos deveriam começar em casa – comenta comigo, no Chile, Andrés Dominguez.
(Eduardo Galeano – Livro dos Abraços)
Junho 20, 2009 at 11:15 pm
Aprender em casa deveres e direitos, nesta ordem. Enquanto isso ficar relegado a educação na escola, difícil termos uma sociedade melhor no tocante a este assunto.
Beijos
Novembro 6, 2009 at 7:13 pm
muitas destas crianças e adolecentes,sofrem em casa e
acabam fazendo na escola , so que isto tem que ter um fim