Masculino, feminino e natureza em discussão
” A gênese de uma civilização consiste na transição de uma condição estática para a atividade dinâmica”
(Capra)
Modificar para a paz. Movimento em harmonia e, possivelmente, a expressão que desafia a humanidade no século XXI, porém é muito difícil falar em disposição ordenada e paciente quando a dinâmica social de séculos no mundo ocidental segue padrões que se modificaram conforme crenças, padrões regionais.
Da união à desintegração, o processo que sustenta essas variações parece estar entranto em fase terminal. Na cultura ocidental, historicamente, o domínio do patriarcado sustentou todas as bases da civilização. Com características que permeiam a competição, as conquistas, o enfrentamento e a disputa, o mundo masculino pensou e construiu pilares que mantêm paradigmas que até o presente, ou seja,na contemporaneidade esses regem o ser humano.A presença feminina veio sempre como sombra ou apoio para as resoluções, invenções ou experimentos do masculino. Capra afirma que este é racional e aquele intuitivo. Portanto se vimos em uma ação em que a razão predominou, é claro que o homem assumiu o papel de protagonista da história humana ocidental. No entanto tudo que se repete e compete consigo mesmo durante muito tempo chega ao caos segundo a concepção grega. Se o pensamento patriarcal segue dominando há séculos, o resultado é a chegada à crise de existência.
A falta do equilíbrio está mostrando, atualmente, que o feminino representado pela cooperação e pela recepção vem ocupando seu lugar o tempo e no espaço ocidental. A mulher, no início do séc.XX, começou a desmontrar que há uma saída e buscou esse espaço neste mundo masculino trazendo um outro tipo de consciência: a intuitiva, sem eliminar o racional, porém unindo as duas em harmonia.Estamos num processo lento de modificação; a luta feminina teve seu auge na década de 70 e fortaleceu-se na seguinte. Hoje vemos mulheres sufocadas tentando respirar e contracenar em partilha com o homem . Este ainda resiste. E mesmo assim ouvimos comentários masculinizados: a mulher tem uma visão masculina, por isso é uma boa profissional.
A modernidade trouxe um sistema fragmentado, cujo movimento se faz pelas partes e estas são mais visíveis e estudadas em detrimento do todo. Esta concepção de mundo não produz relações, mas divisões. a valorização da separação produz submissão assim como no confronto masculino/feminino, quando a direção seria a união dos contrários para uma estabilidade futura.
Novos movimentos estão surgindo para que repensemos os valores impetrados na cultura ocidental. Uma visão holística de mundo junto à intuição feminina adquirem um novo panorama humano: não mais o homem como o centro das decisões re relações, mas o humano como ser possuidor de capacidade de participação do espaço ambiental contemporâneo.
Na concepção chinesa o Yin é a consciência da natureza como co-autora, ou melhor, junção união onde o ser humano está ligado diretamente e não pode ser desvinculado desse espaço, pois seu papel tem uma função: assim como qualquer folha que cai ao chão no final de uma estação o ambiente funciona como eco-ação, cujo todo é o principal fator de sobrevivência, ao contrário do yang que é agressivo com o fator ego-ação, num processo individualista do ser.
A mudança de paradigma só ocorrerá se houver a soma da razão à intuiçao, que sustentarão o nosso meio ambiente formado no dualismo feminino/masculino.