O dramático da história – parte 1

O palco estava à espera dos atores para a representação tão aguardada. O público ansioso pelo recomeço. Os técnicos prontos para suprir todas as necessidades. A história marcada, ensaiada, vivida exaustivamente. Porém esqueceram  de avisar as personagens da hora e local da estreia. Vejam bem, as personagens e não os atores. Estes estavam lá, desejosos pela representação. Meia hora para iniciar o espetáculo e  elas não viam, nenhum sinal de persona criada  movimentava os lábios da atriz perdida no meio de tantos textos memorizados dia a dia nos ensaios. Mas de que adiantava se as fugitivas  nem sabiam onde era a estreia. Melhor, não fizeram questão de saber! Afinal o texto não estava agradando a nenhuma  desde o princípio. Haviam avisado, mas ninguém ouviu. Fazer o quê? Quando não se escuta paga-se caro. Piegas, dramalhão ninguém aguenta mais, nem as telenovelas…

E agora? dizia o diretor de elenco. Como faremos? Façam alguma coisa..improvisem…inventem…vocês são atores minha gente…vocês conseguem…

A atriz que encarnava a protagonista chorava no fundo  do palco. Sua vida inteira esperara por aquele momento e agora…nada. Era como um amante ansioso que a deixara na mão no último instante.Abandonada ali no meio da primeira cena. Já  o  ator que só fazia uma pequena figuração achava tudo muito engraçado e curioso. Sua décima vez em representando e nunca havia vivido algo parecido, para ele era um conto de Borges que estava saindo dos livros para a realidade. O ator que vivia o vilão estava desesperado, e se peça não desse certo? O  que faria de suas dívidas? Sua única esperança de sobreviver por uns meses e quitar todas as contas estavam naquele palco…e as personagens aprontaram isso com ele…

Público chegando. Os espetáculos  nesse teatro não costumavam  começar fora do horário, havia uma multa altíssima e a produção calculava cada segundo de atraso. Público chegando.


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