Águas vitais
Estou há mais de dois meses querendo escrever este texto, mas o tempo insistia em dizer que não era o momento. E como sempre tinha razão. Às vezes por meio de ansiedade e desejos intensos esperamos uma resposta da vida de maneira imediata e descobrimos mais tarde que tudo realmente tem a sua hora. Mas mesmo assim continuam existindo situações que não conseguimos ainda entender. A razão segue a lógica e esta aponta e sinaliza as nossas contradições humanas de seres mal resolvidos e complicados. Almas inquietas que seguem sem direção e, muitas das vezes, atrapalhando quem deseja estar realmente ao lado. Destruímos as possibilidades, buscamos explicações na realidade mais próxima, mas não aceitamos a verdade que se faz presente. O Sol é minha inspiração porque é luz hoje para escrever este texto. Sou luz, deixei a escuridão para trás já faz algum tempo e quero continuar assim. Os complementos luz e escuridão ficam para os filmes de magia e lendas antigas com toda beleza contida em conflitos antitéticos. O que ainda não está visível em mim vem aparecendo aos poucos, desnundando-se para a contação de histórias de vida. Meu olhar é de paz e felicidade, mesmo que ainda sem complementos importantes. Penso que talvez minha vida seja assim mesmo com prioridades: amores filiais, amores da minha profissão, minhas grandes realizações. O Amor maior que desejo tanto, de dois seres contrários, ainda não faz parte do meu roteiro já chegado à meia idade. Permaneço aprendendo a amar, pois são anos de paixões, e da falta delas. Mulher em intensidade aprendendo o jogo da sensualidade e descobrindo que nada é para sempre quando se trata de sentimento. Me achava volúvel, hoje sei que é apenas uma brincadeira séria de Cronos. Ele nos mostra o quanto podemos ser muitos e transformar vidas e sonhos. Só sinto que muitos desses amores que passaram e passarão por mim estejam fora da linha espacial de possiblidades porque têm medo de enfrentar o desconhecido. Porém cada um no seu caminho e com suas escolhas.
Sempre guardei um lugar para um amigo especial em meu coração, mas acho que ele não entendeu isso, misturou os canais, ficou muito preocupado com fatores racionais e não me reconheceu. Perdeu a chance de me ver, de me sentir, de conviver pelo medo ou talvez porque realmente não houvesse uma sintonia em relação a mim. É claro nunca irei agradar a todos e sei que não posso escolher quem irá sentir atração ou não, assim como não mando em meu coração. Mas este meu amigo foi confuso, perdido mesmo. Ouvi suas palavras, mas não consegui traduzi-las, mas aceitei como verdade. Hoje depois desse tempo de confusões e tropeços entendo que deve haver um jogo, só que eu nunca fui muito boa neste esporte. Sou espontânea e vivo para a palavra dita, sem rodeios e aí exagero em tudo, mas sou assim, procuro melhorar, mas não há controle. O bom disso tudo é que histórias se criam e ficam, não há como apagá-las na memória. Elas estarão lá para sempre, e isso me deixa feliz, porque sou uma mulher que adora um esquete bem representado. A mesmice desaparece em minha vida quando vivo os amores, aprendo a amar pessoas diferentes e outras vezes a guardá-las em mim para outra ocasião. Traçamos nossas vidas em um outro plano e depois podemos modificá-la segundo nossas escolhas. Sempre gostei da metáfora do rio, do mar, enfim, das águas, porque elas estão em constante movimento, trazendo experiências novas. É como se estivéssemos rodeados de água por todos os lados. Uma ilha? Não sei, mas propensos a seguir em várias direções. Navegamos à noite, durante o dia e vivemos. Fico pensando em meu amigo querido que não quis remar em direção alguma, apenas ficou na ilha e não aventurou-se a buscar o conhecimento do novo, dos desafios, e fico triste por um instante. Amo meu amigo, assim como amo outras pessoas que são importantes em minha vida e, por isso, desejo que ele construa uma ponte para poder chegar até o local de embarque e possa viajar pelas águas, enfrentando as batalhas com o vento, as tempestades, a calmaria e o desconhecido, mesmo que pareça tudo tão difícil.
Queria ainda falar de perdas, mas fica pra outra ocasião, esta parte é muito mais triste e difícil, não é mesmo?
Sigamos pelo rio ou pelos mares navegando, pois há muita vida pela frente, e atenção: a mais maravilhosa que possamos construir!!!!
Julho 27, 2009 at 12:54 am
Com certeza Wal, navegar é preciso. Portugueses e espanhois ja sabiam disso e por isso descobriram novas terras.
Vou abrir uma cafeteria numa destas ilhas em que teu barco for aportar. Estarei lá te esperando com um café quente, pois com um frio destes, umidade maior ainda, só mesmo saindodesta cidade!
Beijois. E claro, adorei o texto.
Julho 29, 2009 at 10:30 pm
Voltei para reeler…
A vida não é um jogo. E não existe destino ou sorte. As coisas apenas acontecem, muitas vezes mais depressa do que o esperado, outras vezes os acontecimentos são postergados. Sim, somos nós que na maioria das vezes traçamos a hora para que algo venha a acontecer.
Beijos