Ordem injusta

Impossibilidades.Sofrimentos.Medos. A adolescência grita por desejos e a plenitude da satisfação momentânea impera na sociedade contemporânea.A família representada pelos pais e o estado pátrio ocupam, muitas vezes, um espaço equivocado na vida do adolescente e este se vê num labirinto de caminhos muitos distintos. Às vezes a ausência de um ou dos dois torna a  busca da saída mais difícil ainda. A fragilidade desta situação faz com que este, pertencente a uma classe social privilegiada ou não, perca-se nestas sendas confusas de sua formação e alteridade. Como entender aqueles que pedem a redução da maioridade penal?

Desencontros, que se criam no desejo de desbravar o mundo desde a infância e se fixam na adolescência, criam conflitos que navegam no inconsciente. Se o fracasso familiar se estabelece, gradativamente, a criança chega à adolescência com desejos contrários àqueles que se esperam nesta fase: confronto com o mundo adulto, vontade de mudar a realidade existente, desafiar  sem perceber os perigos. Aqueles que se constroem são, ao contrário, inconscientes e trazem o desejo de “suicídio” . Buscar as drogas e a criminalidade expõe o desejo de escolher o caminho da ilusão, mesmo sabendo que a morte social é inevitável, independente da classe social a que pertence.

É natural que o homem busque satisfazer seus desejos, mas quando o adolescente grita por socorro, utilizando-se de saídas que prejudicam a si mesmo, estabelece-se um incômodo social. Alexandre M. Da Rosa afirma:

” Em muitos casos o que se procura no ato infracional é a esperança de sobreviver. Portanto, é preciso destacar o aspecto positivo da transgressão para que as pessoas, os atores jurídicos se sintam incomodados.”

Assim esta ordem injusta que o mundo adulto e medroso impõe demonstra que historicamente não se olha a criança e o adolescente como pessoas, sujeitos em construção. Os resultados desta arquitetura  falha pelas mãos dos pais genitores, criadores ou do estado estão diariamente expostos em notícias, em televisões e jornais. O poder público pouco faz para entender esta situação. Empurra os fatos e fecha os olhos para um problema que, para eles, está apenas na atitude final do adolescente e não na sua história de vida. Como defender a redução da maioridade penal, se somos nós os culpados? É fácil criar um monstro, o difícil é desconstruir posturas encalacradas nas instituições, nas pessoas, no Poder vigente. Acordar e abrir os olhos e enxergar o processo não é escolha, mas dever daqueles que trabalham com adolescentes e a juventude.

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